Sem um consenso, os deputados do PT suspenderam na manhã desta terça-feira (14) o encontro da bancada da Câmara que definirá o nome do partido para a presidência da Casa. A reunião, que durou menos de 30 minutos, será retomada às 16h, na sede do PT.
O líder da bancada na Câmara, Fernando Ferro (CE), resumiu o impasse: "Se fizéssemos [o encontro] agora até o fim, teria que ser no voto [a decisão]. Os candidatos pediram um tempo para sair [da disputa]", disse.
O partido reconhece que uma definição nas urnas deixará sequelas que podem ser incômodas para negociações futuras.
Três candidatos pleiteiam a indicação do PT para a Presidência --como maior bancada, o partido tem direito a ocupar o cargo. São o atual líder do governo, Cândido Vaccarezza (SP), o vice-presidente da Casa, Marco Maia (RS) e o ex-presidente da Câmara Arlindo Chinaglia (SP).
Até a manhã de hoje a expectativa era de que não houvesse consenso e a decisão fosse feita pelo voto dos deputados eleitos, que assumem em fevereiro.
O grupo que dá sustentação à candidatura de Vaccarezza, que é do campo majoritário do PT, apostava em uma vitória já no primeiro turno. Caso seja definida em votação, a escolha poderá acontecer em um segundo turno entre os dois mais votados.
Marco Maia, também do campo majoritário, ainda negociava apoios com duas correntes da sigla. A Mensagem ao Partido, segundo maior tendência, que não fechou com um candidato único e que espera levar o deputado Paulo Teixeira (SP) à liderança da bancada.
Outras conversas estavam previstas com o Movimento PT, corrente de Chinaglia, na tentativa de fazer o ex-presidente abdicar da candidatura e apoiar Maia.
Entre os argumentos de Marco Maia estava a importância de descentralizar o poder no PT, hoje concentrado na bancada paulista.
Já Vaccarezza afirmava que sua saída afeta o balanço dentro da bancada e poderia comprometer a governabilidade da presidente eleita, Dilma Rousseff.
"O clima é tenso", afirmavam os deputados à saída da reunião.