Ingressar em uma universidade estrangeira se tornou meta de jovens entre 18 e 35 anos que ambicionam um ensino de alto nível e uma experiência cultural globalizada, conscientes de que a educação diferenciada impulsiona as chances de sucesso em tempos de economia aquecida.

Desde 2009, cresceu 8% o número de brasileiros que embarcaram para outros países em busca de cursos de graduação e pós-graduação, segundo a Student Travel Bureau (STB), uma das maiores agências de intercâmbio do Brasil. Esse porcentual, dizem os especialistas, deve aumentar ainda mais com o real forte diante de outras moedas.

"Os cursos estão atraentes não porque tiveram queda no preço original. A influência é mesmo do câmbio", diz Bruno Seixas, gerente de Higher Education da STB. "A crise econômica, que pegou forte em outros países, é oportunidade para nós nessa área." Despesas com alimentação, acomodação e transporte também diminuíram graças à cotação.

Um MBA (sigla para Master of Business Administration) de quatro meses na Universidade Berkeley, nos Estados Unidos, por exemplo, continua cerca de US$ 13 mil, assim como em 2008. A diferença é que a moeda americana, naquele período, valia R$ 2 diante da média atual de R$ 1,7. Convertendo, é o equivalente a R$ 22 mil, preço de um carro popular.

Na França, a anuidade de um MBA em Negócios oferecido pelo Institut Européen d"Administration des Affaires chega a 50 mil, moeda que hoje está em R$ 2,4 e há dois anos não descia a menos de R$ 3,3. E se estudar na Inglaterra parecia um sonho distante por causa da libra, cujo câmbio em 2007 era de R$ 4,2, as chances são maiores atualmente com a moeda a R$ 2,7. O mestrado em Relações Internacionais na renomada London School of Economics and Political Sciences custa 16 mil libras, o ano.

Custo. O preço mais acessível foi determinante na escolha da gerente de agência de viagens Patrícia Lumy, de 33 anos, de São Paulo. Formada em Turismo, ela se prepara para cursar um MBA em Negócios Internacionais na Universidade de Berkeley, no Estado americano da Califórnia, a partir de janeiro. "Comparei com valores de cursos equivalentes no Brasil e a diferença não era grande. Considerando a excelência de Berkeley e a característica de inovação no meio acadêmico nos EUA, foi a melhor opção."

Patrícia vai pagar o curso do próprio bolso. Quem não conta com uma poupança para bancar o investimento pode tentar uma bolsa de estudos. Nesse caso, a crise econômica afetou negativamente a concessão de bolsas para alunos internacionais em diversas instituições. "As universidades estrangeiras retiram recursos para esse fim de fundos patrimoniais que mantêm com doações de ex-alunos e empresas", diz Renata Moraes, coordenadora de marketing da Fundação Estudar, que concede bolsas de estudos para brasileiros.

Há dois anos, o fundo da Universidade Harvard, nos EUA, o mais rico do mundo, sofreu queda de 27% nas doações. Em setembro, a instituição comemorou crescimento de 11% nos valores do fundo. Mas como a crise ainda afeta o país, a distribuição de bolsas será conservadora para o próximo ano. Isso se repete em outras instituições. As oportunidades continuam existindo - e não são poucas. A diferença é que a disputa será mais acirrada do que nos últimos tempos.

Disputa. As seleções para conquistar uma vaga no exterior começaram em novembro e seguem até março para os cursos de setembro de 2011 a junho de 2012 (ano acadêmico no Hemisfério Norte). Uma opção é buscar ajuda de empresas de intercâmbio.