A presidente eleita Dilma Rousseff (PT) deve anunciar nesta semana os nomes dos 21 ministros que faltam para compor o seu governo. Dos atuais 37 ministérios (que incluem secretarias com status de ministério), 16 já têm os ocupantes definidos para 2011. O número de novos ministros, no entanto, pode subir para 22, caso a presidente eleita crie o Ministério das Micro e Pequenas Empresas. A criação da pasta foi uma promessa de campanha.
Apesar de a presidente eleita já ter dito publicamente que gostaria de oficializar todos os titulares dos ministérios até o dia 20, acredita-se que o anúncio seja feito até a data da diplomação da presidente e do seu vice, Michel Temer (PMDB) pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), marcada para as 17h da próxima sexta-feira (17).
A dúvida, no entanto, é se a nomeação dos 21 ministros será feita em um único dia, ou em blocos, como tem sido. A tese de anúncio único foi reforçada na última sexta-feira, quando Dilma adiou a oficialização de três ministros já confirmados: Fernando Pimentel, para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; Antonio Patriota, para o Ministério das Relações Exteriores e Nelson Jobim, convidado a permanecer no Ministério da Defesa.
De acordo com a equipe de transição, o anúncio da última sexta-feira foi adiado porque a presidente eleita queria esperar para revelar um pacote maior de ministros. O problema é que todos os cargos dependem de negociação entre os partidos da base aliada, o que torna mais difícil o anúncio em um único dia. O anúncio único acalmaria os ânimos dos partidos em relação ao primeiro escalão, mas daria início à corrida e negociação pelos cargos do segundo e do terceiro escalão.
Critério político
O critério que prevaleceu para a escolha dos 16 ministros nomeados até agora por Dilma foi o político. A equipe econômica foi a primeira a ser anunciada, com o objetivo de evitar sobressaltos do mercado. Nela, dois integrantes são de quadros do PT, Guido Mantega, mantido na Fazenda, e Miriam Belchior, gerente do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento), que foi para o Planejamento. Alexandre Tombini, escolhido sucessor de Henrique Meirelles para presidir o Banco Central, foi escolhido por critério técnico: não é filiado a partido e era Diretor de Normas do BC.
O segundo bloco de ministros anunciados foi da chamada "cozinha" do Planalto, ou seja, os ministros que ficam dentro do palácio, próximos da Presidência. Para estas pastas foram confirmados Antonio Palocci para a Casa Civil, Giberto Carvalho, para a Secretaria Geral da Presidência e Helena Chagas, para a Secretaria de Comunicação Social. Além dos ministros que ficam dentro do Planalto, José Eduardo Cardozo foi confirmado ministro da Justiça e Paulo Bernardo foi para a pasta das Comunicações. Todos estes são do PT, a não ser a jornalista Helena Chagas, que não tem filiação partidária, mas foi a principal assessora de imprensa de Dilma durante a campanha.
O terceiro bloco confirmado foi o de ministros do PMDB, principal aliado do PT. Por meio de nota, a presidente anunciou que o senador Edison Lobão (PMDB-MA) voltará a comandar o Ministério de Minas e Energia. Wagner Rossi foi mantido no Ministério da Agricultura. Para o Ministério do Turismo, foi confirmado o deputado Pedro Novais (PMDB-MA). O senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) foi confirmado para o Ministério da Previdência e o ex-governador do Rio de Janeiro Moreira Franco foi escolhido para a Secretaria de Assuntos Estratégicos.
Mulheres
O quarto bloco oficializado tem duas mulheres, além das duas que já haviam sido anunciadas (Helena Chagas e Miriam Belchior), a senadora Ideli Salvatti (PT-SC) que irá ocupar a Secretaria de Pesca e Aquicultura, e a deputada Maria do Rosário (PT-RS), que vai comandar a Secretaria Especial de Direitos Humanos. Dilma queria ampliar a participação das mulheres no primeiro escalão do governo. Tentou, inclusive, colocar uma mulher à frente do Itamaraty, mas a falta de quadro feminino a fez optar por Patriota.
Além das mulheres deste bloco, a presidente eleita anunciou a volta de Alfredo Nascimento (PR-AM) para a pasta dos Transportes.
Faltam ser anunciados
Faltam ser anunciados os ministros das Cidades; da Ciência e Tecnologia; da Defesa; do Desenvolvimento Agrário; do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; da Educação; do Esporte; da Integração Nacional; do Meio Ambiente; das Relações Exteriores; da Saúde e do Trabalho e Emprego.
Além dos ministérios, Dilma ainda precisa confirmar os ocupantes das secretarias com status de ministério: Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial; Especial de Políticas para as Mulheres; Especial de Porto e Secretaria das Relações Institucionais. E dos órgãos (também com status de ministério): Advocacia-Geral da União; Controladoria-Geral da União; Defensoria Pública da União e Gabinete de Segurança Institucional.