Israel e Turquia desejam virar "imediatamente" a página do incidente do ataque israelense a uma frota humanitária que seguia para Gaza, mas os dois países negociam o pedido de "desculpas" que Jerusalém deve apresentar, declarou esta quinta-feira à AFP uma autoridade turca.
"Há um debate sobre a forma, sobre a palavra desculpas", explicou Ozdem Sanberk, que participou no domingo e na segunda-feira das reuniões celebradas em Genebra com encarregados israelenses para tentar superar a crise diplomática que confronta os dois países, que foram aliados na região. "No que diz respeito à parte turca, nunca se negociou outra palavra que a de desculpas", informou este antigo embaixador e alto funcionário do ministério das Relações Exteriores.
Segundo a imprensa israelense, alguns dirigentes hebreus rejeitam este termo e preferem outros como "lamento". As relações bilaterais se deterioraram após o ataque do exército israelense a uma frota humanitária que se deslocava para Gaza, ocorrido em 31 de maio, em águas internacionais. No ataque morreram nove pessoas de nacionalidade turca.
Ancara reiterou a seu embaixador de Israel e posteriormente pediu desculpas e compensações para as famílias das vítimas. Durante a reunião de Genebra, as duas partes acertaram um documento no qual preveem desculpas da parte israelense, bem como compensações e "o compromisso de restaurar imediatamente as boas relações que existiam" entre os dois países. Este acordo deve ser aprovado agora pelos dirigentes de ambos os países.