A torcida do Cruzeiro sofreu com o forte calor, mas saiu da Arena do Jacaré satisfeita com o desempenho do time, que venceu o Palmeiras e ficou em segundo lugar no Campeonato Brasileiro, classificando-se diretamente para a Libertadores da América de 2011.

Os 90 minutos de jogo foram de aflição para os torcedores - nem tanto pelos resultados dos jogos de Corinthians e Fluminense, mas principalmente porque o Palmeiras não facilitou a vida para o time celeste.

Na primeira etapa, o Cruzeiro não fez gol, mas a torcida explodiu duas vezes. A primeira quando o Goiás fez 1 a 0 no Corinthians em Goiânia. A notícia veio pelas rádios que transmitiam os jogos da rodada. Foi o bastante para os 18 mil cruzeirenses gritar: "eu acredito, eu acredito".

Ainda com a derrota polêmica por 1 a 0 no Estádio do Pacaembu entalada na garganta, o torcedor celeste gritou em coro, sem dó: "eu, eu, eu, o Corinthians se f...".

Em campo, Cruzeiro e Palmeiras faziam um jogo morno. A torcida celeste começava a ficar mais preocupada que o normal: "vamos Wellington (Paulista), vamos Rômulo, pelo amor de Deus, um gol só", gritou um torcedor.

Poucos minutos, depois o time paulista empatou em Goiânia - apreensão em Sete Lagoas. Mas o rival Atlético-MG era goleado no Estádio do Morumbi pelo São Paulo - festa em Sete Lagoas.

No intervalo, a segunda alegria celeste da tarde. Uma rádio noticiou, por engano, gol do Guarani no Engenhão. A alegria voltou a tomar as arquibancadas da Arena do Jacaré, mas logo o engano foi desfeito.

Na segunda etapa, o Palmeiras assustou uma vez, assustou outra. E na terceira, abriu o placar com Rivaldo. "Não dá pra acreditar. Estamos jogando com medo", reclamou o torcedor Gustavo Silva Celeste. O jogo era amarrado. O sol não dava descanso. "Quanto está o jogo do Guarani?" perguntou um. "E do Corinthians?", completou outro.

Montillo bate falta e o goleiro Bruno, reserva de Deola no Palmeiras, vai no ângulo direito para espalmar. Atrás do gol, os torcedores explodem de raiva: "ô, Bruno, filho da p..., entrega, pô! Vocês deixaram o Fluminense ganhar, agora vem complicar aqui?", gritou o porteiro Claudio Silva - gritou é modo de falar, porque os palavrões que ele e outros soltaram em seguida são impublicáveis.

A torcida começa a cantar "doutor, eu não me engano, este goleiro é corintiano". Bruno não se importa, mas quando um torcedor pergunta se ele gostaria de ver o maior rival campeão, ele balança a cabeça que não.

Em seguida, o primeiro alívio: Henrique recebe na área e chuta forte para empatar. "Vamos, vamos Cruzeirô, vamos a ganhar", gritam os inflamados cruzeirenses. "Mais um, mais um."

Mais um que só sai nos acréscimos, com Walisson. Ele avança pela esquerda, corta para o meio e chuta - Bruno parece colaborar, e a bola entra no canto.

Não dá tempo pra mais nada. O juiz apita o final do jogo e os jogadores vão para o meio de campo para aguardar o resultado do jogo no Rio de Janeiro. A partida de Goiânia já havia terminado também, o segundo lugar era do Cruzeiro.

"Roubaram da gente. Os juízes safados roubaram da gente, se não a gente seria campeão, mas valeu", avaliou o motorista de ônibus José Arimatéia.

"Guerreiro, Cruzeiro!", grita a torcida. "É campeão!", completa. O jogo do Fluminense termina e os cruzeirenses seguem para casa, com duas sensações conhecidas, mas opostas: a do dever cumprido e de que faltou alguma coisa.