O Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (Ocha) lamentou nesta quinta-feira que só tenha recebido em 2010 metade dos fundos para assistência humanitária solicitados para os territórios palestinos.
O coordenador do Ocha para Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental, Maxwell Gaylard, declarou em entrevista coletiva em Genebra que dos US$ 604 milhões solicitados, apenas US$ 300 milhões foram entregues, e pediu aos países doadores que não se esqueçam desse conflito.
Gaylard ressaltou que "embora os palestinos não devessem necessitar de assistência humanitária (já que a situação não se deve a uma catástrofe natural)", grande parte dos 4,5 milhões de palestinos depende dessa ajuda, uma proporção que chega a 75% na faixa de Gaza, devido ao bloqueio de Gaza e à presença militar israelense na Cisjordânia.
"Embora em junho passado Israel tenha flexibilizado em parte o bloqueio a Gaza permitindo a entrada de alguns artigos, a vida não melhorou para muitas pessoas, que continuam sem acesso a materiais como cimento ou vigas de aço, imprescindíveis para a reconstrução", destacou o responsável da Ocha.
"E apesar de o desemprego ter caído um pouco, continua em níveis catastróficos de entre 30 e 40% da população", acrescentou.
Gaylard afirmou que em 2009 o pedido de fundos de US$ 804 milhões cobriu-se até os US$ 600 milhões devido à grande atenção midiática que a ofensiva de três semanas lançada por Israel contra Gaza provocou, após a morte de cerca de 1.400 palestinos.
Além disso, ele ressaltou que em Gaza "a pobreza continua sendo um grande desafio", atingindo 25% dos 1,5 milhão de habitantes.
Para a Ocha, outra grande necessidade é a construção de escolas administradas pela UNRWA, a agência das Nações Unidas para refugiados palestinos, em Jerusalém Oriental, onde o crescimento demográfico e a falta de serviços deixaram um déficit de pelo menos cem colégios.
"Calculamos que atualmente 10 mil crianças não conseguem encontrar escola em Jerusalém Oriental", acrescentou.