Um dos candidatos mais bem cotados nas eleições presidenciais deste domingo no Haiti, o artista Michel "Sweet Micky" Martelly, foi vítima de uma emboscada na sexta-feira na cidade de Les Cayes (sul), informou sua porta-voz, Karine Beauvoir. Segunda ela, uma pessoa morreu e várias ficaram feridas no incidente, que teria sido provocado por partidários do candidato governista, Jude Célestin.
"Martelly estava na rua com seus eleitores. As pessoas esperavam em uma rua. Houve uma emboscada. Dispararam contra a multidão com armas automáticas", disse a porta-voz, afirmando que "há um morto e vários feridos".
Martelly é o mais famoso cantor de kompa, ritmo mais popular do Haiti. Ele é um dos primeiros colocados na disputa entre 18 candidatos à Presidência do Haiti nas eleições deste domingo.
O porta-voz da polícia da ONU (Organização das Nações Unidas) no Haiti, Jean-François Bezina, confirmou que houve "um incidente em Les Cayes" e que ele está sendo investigado, mas não forneceu um número oficial de vítimas. "A polícia da ONU não está envolvida no inci"ente", limitou-se a dizer.
Uma fonte da polícia de Les Cayes disse que houve tiros, mas que não há registro de mortos ou feridos.
Há também confusão sobre a presença do próprio Martelly no local, já que, segundo a polícia, ele tinha saído dali quando começaram os disparos. Segundo a equipe do candidato, no entanto, tudo aconteceu quando ele estava prestes a fazer um discurso.
O assessor de campanha de Martelly, Antonio Sola, disse que o candidato correu para seu veículo a prova de balas, onde colocou um colete a prova de balas também. Ele não sofreu ferimentos.
"Michel andava no meio de uma multidão imensa... quando um tiro de arma automática foi disparado contra o grupo", disse a mulher do candidato, Sophia, ao jornal "Le Nouvelliste".
Há ainda uma versão da imprensa local segundo a qual o enfrentamento começou quando partidários do próprio Martelly atacaram um veículo da coalizão governista.
DISPUTA ELEITORAL
Neste domingo, 4.714.112 eleitores devem comparecer a um dos 11.181 pontos de votação, abertos entre 6h e 16h.
Além de eleger um sucessor para o presidente René Preval, que não pode concorrer novamente após dois mandatos, nas eleições deste domingo também serão escolhidos os 99 membros da Câmara dos Deputados e 11 dos 30 membros do Senado.
Segundo as últimas pesquisas, os favoritos entre os 18 candidatos à Presidência são o governista Jude Célestin, 48, protegido de Preval, e a matriarca opositora Mirland Manigat, 70 anos, que foi primeira-dama por uns meses, durante o governo de seu marido, Leslie Manigat, derrubado por um golpe militar de Estado. No terceiro lugar aparece Michel Martelly, 49.
Pesquisas e analistas prevêem que não haverá um ganhador claro que consiga a maioria necessária de mais de 50% dos votos, e deve haver segundo turno em 16 de janeiro.
DESAFIOS
As eleições deste domingo no país mais pobre do hemisfério Ocidental enfrenta enormes desafios de segurança, saúde e organização, sem falar em uma epidemia de cólera que já matou cerca de 2.000 pessoas e está piorando, segundo especialistas da ONU. O país ainda se recupera do terremoto de 12 de janeiro, que matou cerca de 250 mil pessoas e deixou 1,3 milhão de desabrigados vivendo em acampamentos improvisados.
Em meio à violência esporádica, também houve confusão entre muitos dos 4 milhões de eleitores registrados para votar.
Parte da violência foi dirigida contra as forças de segurança da ONU, acusadas de trazerem o vibrião da cólera ao país. A ONU alega não haver prova conclusiva disso.
O governo do Haiti, a missão de paz da ONU e analistas internacionais defendem que é melhor manter as eleições na data prevista, apesar dos vários desafios, do que arriscar deixar um vácuo político se o pleito for adiado.
Em Beaumont, pequena cidade no sudoeste do país, duas pessoas morreram em confronto com pedras e garrafas entre simpatizantes do candidato Jude Célestin e Charles Henri Baker.
O governo e autoridades da ONU pediram calma.