Um segundo policial rodoviário federal foi preso nesta terça-feira (23) por conta dos desdobramentos da Operação Tormenta da Polícia Federal, deflagrada em 16 de junho e que investiga fraudes em concursos públicos em todo o país.
A prisão ocorreu após o a Polícia Federal concluir o inquérito sobre irregularidades em provas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) de 2008, disse o delegado Victor Hugo Rodrigues Alves, chefe da operação, ao G1. O policial está entre os indiciados por fraude no concurso.
De acordo com Alves, a prisão aconteceu na capital paulista, onde o policial trabalhava, e contou com a ajuda da Corregedoria da Polícia Rodoviária em São Paulo. Outro policial rodoviário federal com participação nas fraudes em concursos foi preso em julho.
Na investigação, a polícia conseguiu comprovar a participação ativa do policial no esquema que vendeu gabaritos do caderno de questões a candidatos, disse o delegado. De acordo com o Alves, nesse concurso as respostas custaram entre R$ 50 mil e R$ 100 mil, dependendo da condição financeira de quem comprava.
O policial preso trabalhava na sala onde as provas do concurso da Abin ficaram guardadas antes do exame, ainda participou do concurso como candidato e tendo o gabarito em mãos, disse Alves.
No inquérito, foram indiciados 15 candidatos e sete membros da quadrilha. Segundo Alves, a quadrilha é a mesma que fraudou o Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de 2009 e a prova do concurso da Polícia Federal de 2009, sendo que alguns integrantes mudam de acordo com a seleção.
A PF pediu a prisão do policial sobre os argumentos de conveniência da instituição criminal, e garantia da ordem pública, já que ainda não foi comprovada a efetiva participação do policial. O decreto de prisão foi dado pelo juiz Herbert Cornélio Pieter de Bruyn, da Justiça Federal em Santos.
15 candidatos indiciados
De acordo com o delegado da PF, o inquérito sobre as fraudes no concurso da Abin foi relatado e apresentado para a Justiça Federal no dia 28 de outubro.
Foram indiciados 15 candidatos que tiveram acesso aos gabaritos das provas. Desses 15, apenas uma candidata havia passado nas demais etapas do concurso e tomou posso como oficial de inteligência. Nesse caso, a PF pediu o afastamento da servidora. Essa candidata
A PF descobriu ainda que outra candidata que comprou o gabarito entrou com liminar na Justiça por ter sido reprovada no exame psicológico. A PF encaminhou as informações sobre participação dela na fraude ao juiz responsável pelo caso. Essa candidata reprovada é filha e irmã de dois dos 41 candidatos suspeitos de fraudar o concurso para auditor fiscal da Receita Federal em 1994, seleção que ainda está em investigação pela PF.
Os outros 13 candidatos indiciados não passaram nas demais etapas do concurso e foram reprovados. Segundo o delegado, alguns deles confirmaram até terem usado ponto eletrônico na hora da prova.
Os candidatos foram indiciados pelos crimes de receptação e estelionato. Os membros da quadrilha foram indicados por peculato, violação de sigilo funcional qualificada, formação de quadrilha, corrupção e estelionato qualificado consumado ou tentado.
A operação também apura irregularidades em concursos público da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).