O enviado especial dos Estados Unidos para a Coreia do Norte, Stephen Bosworth, chegou neste domingo a Seul onde inicia sua viagem pela Ásia a fim de tratar o programa nuclear de Pyongyang com seus aliados. Segundo a agência sul-coreana Yonhap, Bosworth disse que o objetivo é debater "os próximos passos no processo de negociação com os norte-coreanos".
Ele deve viajar na segunda-feira a Tóquio e na terça-feira a Pequim para se reunir com autoridades desses países, junto às Coreias, Rússia e Estados Unidos. O grupo negocia o controle do programa nuclear de Pyongyang, paralisado há dois anos.
A viagem coincide com revelações sobre o programa nuclear do regime comunista de Kim Jong-il. Segundo o jornal americano The New York Times, no início deste mês, a Coreia do Norte mostrou um complexo nuclear secreto de enriquecimento de urânio ao ex-diretor do Laboratório Nacional dos Álamos (EUA) Siegfried Hecker.
Em entrevista, Hecker afirmou que ficou surpreso pela capacidade do complexo, onde viu centenas de centrífugas recém-instaladas em uma velha usina processadora de combustível derivado do petróleo. Isso comprovaria que a Coreia do Norte tem capacidade para fabricar armas nucleares a partir de urânio, e não só de plutônio, como o próprio regime comunista afirmou ano passado.
Até então, o regime norte-coreano negava ter um programa de enriquecimento de urânio. Um porta-voz oficial sul-coreano citado pela Yonhap disse neste domingo que, se for provado que a Coreia do Norte dispõe de semelhante complexo para enriquecimento de urânio, seria algo "muito grave".
Até agora, Coreia do Norte realizou dois testes nucleares subterrâneos baseados em plutônio. O primeiro ocorreu em outubro de 2006 e o segundo maio de 2009. Nesta semana, Seul não descartou que Pyongyang prepare um terceiro teste com base em imagens de satélite que mostram atividade em Punggye-ri, local do último teste atômico.