Uma maioria de 92% dos afegãos desconhece os ataques contra o Pentágono e as torres gêmeas de 11 de setembro de 2001, que levaram os EUA a invadirem o país, indica um levantamento do Conselho Internacional de Segurança e Desenvolvimento (ICOS).
A pesquisa ouviu 1.500 homens, mil deles nas províncias de Candahar e Helmand, que registram os combates mais intensos entre as tropas ocidentais e os insurgentes talebans, e o restante em Parwan e Panjshir.
A publicação do estudo coincide com a reunião dos 28 líderes da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), em Lisboa, mostra ainda que 43% dos entrevistados nesses locais são incapazes de indicar aspectos positivos de um regime democrático.
"Necessitamos explicar aos afegãos por que estamos aqui, e lhes mostrar e convencer de que o seu futuro é melhor conosco do que com o Taleban", disse em um nota à imprensa a presidente do ICOS, Norine MacDonald.
Os dados mais significativos partem das zonas ao sul; nelas 40% dos entrevistados afirmou que as tropas estrangeiras estão no país para destruir o Islã ou para ocupar e destruir o Afeganistão.
Além disso, 81% dos pesquisados crê que a volta ao poder do Taleban significará a volta da Al Qaeda, e 61% diz que as forças afegãs serão incapazes de proporcionar a segurança quando as tropas estrangeiras retornarem.
Segundo 56% dos afegãos analisados, a polícia colabora em algum grau com os insurgentes, um percentual que baixa a 39% quando a questão se refere ao Exército afegão.
"Está claro que o potencial das forças de segurança afegãs mudarem de alianças uma vez formadas pela Otan é um assunto a se considerar nos planos de transição"., disse o diretor de pesquisa do ICOS, Jorrit Kamminga.