Mais uma vez, o Centro de estudos Madre Blanche extrapola os limites físicos da escola e divide com a sociedade o trabalho de pesquisa musical desenvolvidos por seus alunos. Este ano, a apresentação do musical “Tropicalismo é Show” acontecerá no dia 20, sábado, em duas sessões, às 16h e às 19h30, no Teatro Jofre Soares, no Sesc Centro.
O espetáculo formado por 12 canções e que trabalha com as artes integradas, - já que além da música também apresenta dança, interpretação e audiovisual, - foi construído por meio de audições e leituras a respeito do movimento artístico que teve como principais representantes nomes como Tom Zé, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, entre muitos outros consagrados músicos brasileiros.
A professora de artes do Centro e também diretora do espetáculo conta que apresentou a história do Tropicalismo aos alunos e que juntos começaram a ouvir e selecionar as canções que fariam parte do repertório. “As músicas que caiam no gosto deles [alunos] iam sendo repetidas e assim definimos em conjunto o que queríamos apresentar nesse espetáculo”, contou Linete Matias, lembrando ainda que os clássicos do movimento não ficaram de fora da seleção.
Canções como Tropicália e Alegria Alegria, de Caetano Veloso; Domingo no Parque e Back Bahia, de Gilberto Gil; Panis et circensis, de Caetano e Gil; Parque Industrial, de Tom Zé, e muitas outras serão interpretadas por sete crianças com faixa etária de 08 a 11 anos.
Linete Matias explica que em nenhum momento da pesquisa as letras das músicas foram profundamente analisadas, “não é o momento certo. Quando as crianças escutam as canções dos Saltimbancos, de Chico Buarque, por exemplo, ficam encantadas pela estrutura das letras e pela sonoridade, mas nessas canções existe uma crítica social muito forte que, no meu entender, é mais adequada para idades mais maduras. Porém, esse motivo não impede que as crianças saibam da existência do movimento e tenham interesse em conhecer suas músicas e seus principais artistas”, afirmou.
Fernanda Aragão, Edna Laís, Marina Rafela, Flávio Roberto, Edgina Andrade, Ana Regina e Ana Carolina prometem fazer bonito no palco e mostrar tudo o que aprenderam com a pesquisa cultural. “Nós participamos de toda criação do espetáculo. Eu que criei parte da interpretação da música “Domingo no Parque” e acho que ficou bem bacana”, contou empolgada a estudante Ana Regina.
O trabalho de pesquisa da musica brasileira já faz parte do programa pedagógico do Madre Blanche há algum tempo, mas só no ano passado foi colocada em prática a idéia de dividir esses estudos por meio de uma espetáculo aberto ao público. “No ano passado, trabalhamos com a Bossa Nova no espetáculo Meninas na Bossa e ficamos muito contentes em poder dividir isso com as pessoas que gostam da música brasileira, com amigos, com familiares dos alunos e muitas outras pessoas que souberam do projeto através das divulgações nos meios de comunicação”, conta a diretora do Centro, Edgina Figueiredo.
Tropicalismo, Tropicália ou movimento Tropicalista
O movimento Tropicalista, também conhecido como Tropicália ou Tropicalismo, surgiu no Brasil, no final da década de 60, como uma mistura das tradições brasileiras com a arte de vanguarda, a cultura pop nacional e estrangeira e manifestou-se principalmente na música.


