O papa Bento XVI disse nesta quinta-feira que governos de todo o mundo deveriam garantir a qualquer pessoa a liberdade de praticar sua fé publicamente, numa crítica clara a alguns países muçulmanos onde os direitos religiosos são restritos. O pontífice fez o apelo em um documento de quase 200 páginas chamado "exortação apostólica", no qual propõe reflexões sobre o sínodo dos bispos de 2008, ocorrido no Vaticano, sobre o tema da "Palavra de Deus".

O Vaticano afirma que os cristãos nos países de maioria muçulmana deveriam ser autorizados a praticar a religião de forma aberta, assim como ocorre com os muçulmanos nos países de maioria cristã na Europa. "O diálogo não vai se mostrar frutífero a menos que inclua um respeito autêntico a todos e à capacidade de todos praticarem livremente a sua religião", afirmou o papa. "Respeito e diálogo requerem reciprocidade em todas as esferas", acrescentou.

"Reciprocidade" é o termo usado pela Igreja Católica Romana para exigir direitos plenos aos cristãos nos países islâmicos, onde as leis os proíbem de praticar abertamente sua religião. A instituição já pediu por reciprocidade várias vezes à Arábia Saudita.

Restrições - Ao menos 3,5 milhões de cristãos de todas as denominações vivem na região do Golfo Pérsico, local de origem do Islã, que abriga algumas das sociedades árabes muçulmanas mais conservadoras do mundo. A liberdade de praticar a cristandade, ou qualquer outra religião diferente do Islã, nem sempre é permitida no Golfo e varia de país a país. A Arábia Saudita, que segue uma forma austera do Islã sunita, tem as restrições mais duras.

Na Arábia Saudita, que abriga os locais mais sagrados do Islã, qualquer forma de adoração não-muçulmana ocorre em ambientes privados. A conversão de muçulmanos pode ser punida com a pena de morte, embora condenações desse tipo sejam raras. As missas e os encontros religiosos em geral ocorrem em residências de diplomatas, mas o acesso é limitado. Assim, os cristãos costumam se reunir em salas de hotel, correndo um grande risco.