As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) anunciaram que a presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff, terá um "papel determinante" para a "paz regional" e para a "irmandade dos povos do continente", ao destacar sua trajetória "sempre ligada à luta pela justiça", de acordo com um comunicado divulgado nesta sexta-feira (12). - Presidente Dilma, para a senhora o nosso aplauso e reconhecimento. A nota assinada pelo Secretariado do Estado-Maior Central das Farc também pediu no comunicado que a Unasul (União das Nações Sul-americanas) discutam um processo de paz para a Colômbia. O governo da Colômbia soltou nota reafirmando que o conflito é um problema exclusivamente do país e que não vai aceitar nenhuma mediação estrangeira. Em seu comunicado, as Farc comemoram a eleição de uma mulher como presidente do Brasil. - Permita que ecoemos a justificada alegria do grande povo de Luís Carlos Prestes [líder comunista brasileiro, comandante da Coluna Prestes nos anos 1930 e uma das figuras mais perseguidas pelas ditaduras da América Latina], diante do fato relevante de terem, pela primeira vez na história do Brasil, uma mulher sempre ligada à luta pela justiça na Presidência. A presidente eleita chegou a integrar um grupo armado para lutar contra a ditadura brasileira (1964-1985). Dilma foi presa por três anos e torturada pelos militares. Após os resultados do segundo turno, presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, parabenizou a vitória de Dilma. Eleito neste ano, Santos fez sua primeira visita oficial ao Brasil, sinalizando o desejo de aproximação. Farc dizem que Dilma tem papel chave nas negociações A nota das Farc ressalta a "pública convicção" de Dilma sobre a "necessidade de uma saída política para o conflito interno da Colômbia" e acrescenta que sua vitória multiplicou a esperança das Farc "na possibilidade de alcançar a paz pela via do diálogo e da justiça social". - Temos certeza que a nova presidente do Brasil terá um papel determinante na construção da paz regional e na irmandade dos povos do continente. Em setembro passado, quando ainda era candidata a presidente, Dilma declarou que o Brasil só mediaria uma eventual negociação de paz com as Farc se houvesse um pedido do governo colombiano. Farc estão enfraquecidas A maior guerrilha do país, fundada nos anos 1960, mantém centenas de reféns na selva colombiana. Uma das mais famosas foi a ex-candidata à Presidência Ingrid Betancourt, libertada em 2008. A Colômbia e os Estados Unidos consideram as Farc um grupo terrorista. A guerrilha é responsável por vários ataques contra alvos do governo local. Ao longo do tempo, o grupo perdeu simpatia de parte da sociedade colombiana e se envolveu com o narcotráfico. As Farc se enfraqueceram na última década, após forte repressão do governo da Colômbia, que nos últimos dois anos matou seus dois de seus principais líderes, Raul Reyes e Mono Jojoy.