O vice-presidente eleito, Michel Temer (PMDB-SP), atual presidente da Câmara dos Deputados, afirmou nesta quinta-feira que o partido que liderará a Casa nos primeiros dois anos do governo de Dilma Rousseff será decidido em janeiro ou fevereiro próximos.
Segundo Temer, que participa de um encontro de parlamentares ibero-americanos em Buenos Aires, é preciso levar em conta a primeira e a segunda maiores bancadas na Câmara para tomar a decisão.
O peemedebista defendeu que seja adotado o mesmo esquema desta legislatura. "Um biênio foi do PT, outro do PMDB (...) Não envolvemos o Senado Federal porque lá existe uma regra regimental que estabelece que a maior bancada, necessariamente, é a titular da presidência. Na Câmara, não temos esse dispositivo", disse.
Na época, o PT era a segunda maior bancada e, segundo Temer, "o PMDB fez um acordo e abriu mão do primeiro biênio, entregando a presidência ao PT com o compromisso de ser eleito no segundo biênio", o que teria "pacificado muito as relações entre os dois partidos".
O parlamentar, que é um dos coordenadores da equipe de transição do governo, lembrou que o PMDB e o PT serão as maiores bancadas na próxima legislatura. "Vamos pensar em termos político-partidários, mas, também, em termos de governo. O ponto fundamental é que estamos trabalhando muito para que isso não seja um fator de trauma político", ressaltou.
O vice-presidente eleito disse que a definição da composição do novo governo, com a formação dos ministérios, é a prioridade no momento, sendo que "todos os partidos querem ampliar seu espaço no governo". Segundo ele, o PMDB também quer ampliar o seu espaço.
"O que eu propus logo na primeira reunião que tive com o José Eduardo Dutra (presidente do PT e um dos coordenadores da equipe de transição) e, na sequência, durante café da manhã com a presidenta eleita, Dilma Rousseff, foi que é melhor manter a equação utilizada pelo atual governo. Se essa equação for mantida, não há como reclamar", disse. "O que menos precisamos agora é de confrontações ou distúrbios políticos. Não estou dizendo que isso seja a solução já acertada mas foi bem recebida".