BAGDÁ, 11 Nov 2010 (AFP) -O Iraque conseguiu sair de oito meses de crise com um acordo forçado entre as distintas alas políticas sobre a divisão do poder, o que abriu caminho para a eleição do presidente do Parlamento e do novo chefe de Estado.
O acordo, concluído após três dias de árduas negociações, primeiro em Erbil e depois em Bagdá, divide os principais cargos do país entre diferentes etnias e religiões, já que o presidente da República será curdo, o primeiro-ministro xiita e o presidente do Parlamento sunita.
O curdo Jalal Talabani continuará como presidente da República, o xiita Nuri al-Maliki iniciará um segundo mandato como primeiro-ministro e a presidência do Parlamento ficará com o deputado sunita da lista Iraqiya Osama al-Nujaifi, segundo o porta-voz do governo, Ali al Dabagh.
Tal como o pactado, o deputado sunita da chapa Iraqiya foi escolhido como novo presidente do Parlamento por 227 votos a favor dos 295 políticos presentes (de un total de 325 cadeiras no Parlamento), anunciou o deputado de mais idade, o curdo Fuad Massum.
O acordo para a formação do governo foi difícil em consequência das divergências entre Al-Maliki, que desejava permanecer no poder, apesar de seu movimento ter eleito 89 dos 325 deputados nas legislativas de 7 de março, e o ex-premier Iyad Allawi, que reivindicava o mesmo posto.
Allawi alegava que sua lista leiga, apoiada pelos sunitas, venceu as eleições com 91 deputados.
"Nos últimos minutos da reunião de quarta-feira, nossos irmãos da chapa Iraqiya adotaram uma atitude muito responsável e decidiram participar do governo e da reunião do Parlamento. Espero que o líder da Iraqiya aceite dirigir o Conselho Nacional de Política Superior (CNPS), já que é um posto de grande responsabilidade", comentou Barzani.
Segundo o dirigente curdo, este novo organismo será criado por uma lei e tomará as decisões estratégicas importantes. O posto será uma compensação para Allawi, que critica Al-Maliki por exercer o que considera um poder pessoal sem consultar os outros partidos políticos.
O novo governo, o terceiro desde a instauração de eleições multipartidárias após a queda de Saddam Hussein em 2003, terá os mesmos componentes que o anterior.
O acordo obtido a fórceps, num momento de crescente impaciência da população com o aumento dos atentados, também foi precedido por muitas pressões externas, especialmente dos Estados Unidos.
Washington manifestou reservas sobre a participação no governo dos partidários do clérigo radical xiita antiamericano Moqtada al-Sadr. O governo americano também preferia Allawi no cargo de chefe de Estado.
A respeito da conclusão do acordo, o governo dos Estados Unidos qualificou de "grande passo adiante".
"O aparente acordo para formação de um governo de inclusão significa um grande passo adiante para o Iraque" disse Anthony Blinken, assessor de segurança nacional do vice-presidente Joe Biden.
"Dissemos (durante as negociações) que o melhor resultado seria um governo que reflita os resultados das eleições e que seja composto pelos pólos mais importantes dos grupos étnicos e religiosos iraquianos e que não exclua ou mantenha ninguém à margem", acrescentou Blinken.