O Governo de Silvio Berlusconi sofreu uma derrota política nesta terça-feira na Câmara dos Deputados com a aprovação de três emendas apresentadas por diversos grupos parlamentares sobre o tratado de amizade Itália-Líbia, apoiadas pelo grupo liderado pelo opositor Gianfranco Fini.

O presidente da Câmara e ex-aliado de Berlusconi, Gianfranco Fini, do partido Futuro e Liberdade para a Itália (FLI), cumpriu assim sua recente advertência ao primeiro-ministro para que este renunciasse ou, caso contrário, o FLI, que conta com 30 deputados na casa parlamentar, votaria como considerasse oportuno.

Com 274 votos a favor e 261 contra, foi aprovada a primeira moção apresentada por Matteo Mecacci, do Partido Democrata (PD), que exige esclarecer os termos do acordo de amizade Itália-Líbia e que as expulsões de imigrantes sejam realizadas com base nos acordos internacionais e nos princípios humanitários.

Além do apoio do FLI e do partido Itália dos Valores (IDV), o Partido Democrata pediu o apoio da União da Democracia Cristã e de Centro (UDC).

A segunda emenda sobre as relações Itália-Líbia foi apresentada pela UDC e aprovada por 281 votas a favor, 269 contra e uma abstenção, com o respaldo do partido de Fini.

A terceira derrota para o Governo de Berlusconi correu a cargo do próprio FLI ao apresentar uma moção sobre o mesmo tema que também ganhou com o apoio da oposição.

"Devemos fazer Berlusconi compreender que, sem os votos de Fini, não vai a lugar algum", disse Italo Bocchino, líder do FLI.