A gastança do governo pode prejudicar a manutenção do crescimento econômico brasileiro. Esta é a avaliação de Mauricio Cárdenas, diretor para a América Latina da Brookings Institution. A afirmação foi feita nesta terça-feira, durante o fórum Brazil Summit 2010, Decolando: Como Sustentar o Sucesso, promovido em São Paulo pela revista britânica The Economist. No evento, Cárdenas, Luiz Fernando Furlan, co-presidente da Brazil Foods, e Otávio Azevedo, CEO da Andrade Gutierrrez, debateram a seguinte questão: A história de sucesso do Brasil é sustentável? A moderadora do debate, Justine Thody, diretora editorial do Grupo Economist, incitou a discussão com uma pergunta dura: ”a situação atual do Brasil é mais brilhante que seu futuro?”
Cárdenas avalia que o governo brasileiro está por trás do sucesso atual do país. “O governo tem se tornado um motor, transferindo recursos aos pobres, ajudando as multinacionaiss brasileiras através do BNDES e todos sabemos a importância do pacote de estímulos para a economia brasileira. Mas, se analisarmos o crescimento dos gastos do governo, existe preocupação se isso vai durar no futuro”, questiona. Ele acredita que o Brasil precisa reafirmar suas políticas de estabilidade macroeconômica “porque as tentações de aumentar os déficits fiscais são muito grandes”. Cárdenas afirmou que para manter a sustentabilidade, o país precisa enfatizar a educação e a infraestrutura, gastar e desperdiçar menos. “Muita complacência pode levar às piores decisões”, pontua.
Questionado pela moderadora por uma solução para a questão da baixa poupança doméstica, Furlan foi otimista. “Várias pessoas estão emergindo das classes pobres e se transformando em grandes consumidores, querendo comprar casa e carro, e o crédito esta melhorando. É uma questão de tempo para a poupança melhorar. Teremos recursos para focar na infraestrutura que o país precisa”, prevê.
Otávio Azevedo disse que, apesar de querer muito ouvir que o principal desafio do país nos próximos anos seria infraestrutura, porque isso beneficiaria os negócios de sua empresa, acredita que o que o Brasil precisa é focar na educação. “O Brasil tem uma das maiores população de jovens do mudo, temos que introduzir essas pessoas ao conhecimento para criar mais empreendedorismo, desenvolver tecnologias e capacidade para as empresas serem mais competitivas lá fora”.
Furlan complementou o debate afirmando que a questão da educação é mais uma oportunidade do que um problema. “O Brasil melhorou, mas o mercado está pressionando por mais habilidades do que podemos suprir, a demanda esta puxando a melhora da educação”, avalia.