Brasil, Argentina e México, os três países latino-americanos do G20, reivindicarão na Cúpula de Seul medidas para frear a guerra de divisas que reduziu a competitividade das exportações regionais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a governante argentina, Cristina Kirchner, disseram publicamente que aproveitarão a reunião para pedir um acordo que reduza a "guerra cambial" que, consideram, está transferindo à América Latina os custos de outros países que tentam superar suas respectivas crises.
Lula anunciou que assistirá à Cúpula acompanhado pela presidente eleita, Dilma Rousseff, com quem diz concordar que a forte valorização do real se transformou em um grave problema que o Brasil não pode solucionar unilateralmente.
"Estados Unidos e China estão promovendo uma guerra cambial. Os EUA, porque querem resolver seu problema (crise econômica), e a China porque sabe que tem sua moeda muito desvalorizada", afirmou Lula em sua primeira entrevista coletiva ao lado de Dilma.
O presidente disse que irá a Seul "para lutar", e ressaltou: "Se até agora brigavam com Lula, agora terão que lutar com Lula e com Dilma".
Para a presidente eleita, o problema da mudança deve ser resolvido de forma conjunta, pois ela acredita que medidas unilaterais tendem a gerar protecionismo e a agravar a situação.
"Todos os países percebem que há uma guerra cambial, e para isso não há solução individual. A última vez que começou uma política de depreciação competitiva houve uma guerra mundial", disse.
Até agora, o Brasil descartou a possibilidade de desvalorizar sua moeda artificialmente para recuperar sua competitividade no exterior, e defendeu o regime de livre flutuação da mudança.
Por isso, o país limitou sua atuação na chamada "guerra de divisas" a medidas pontuais para frear o fortalecimento do real.
A presidente argentina também manifestou seu interesse em negociar um acordo que impeça que a desvalorização das moedas dos países desenvolvidos reduza as exportações e a competitividade da América Latina.
"Tentaremos conseguir (no G20) um pouco de cooperação, porque o que se está vendo agora é uma grande guerra de moedas, de competitividade, definitivamente, e para ver quem coloca melhor seus produtos e como se transfere a crise", disse Cristina.
"Talvez alguns estejam propondo políticas para transferir a crise a terceiros" e, nesse cenário, "temos que seguir tranquilos, com cada parte expondo o que entende como políticas de nível global", acrescentou.
Além do interesse já manifestado de Brasil e Argentina, outros países da América Latina solicitaram a líderes da região com cadeira no G20 para que pressionem por uma solução à guerra de divisas.
O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, manifestou recentemente que pediu ao chefe de Governo do México, Felipe Calderón, para que transfira ao G20 a preocupação de toda a América Latina pela valorização de seus moedas.
O México, que será sede da Cúpula do G20 em 2012, proporá especificamente a moderação dos desequilíbrios fiscais, por considerá-los um dos maiores obstáculos ao desenvolvimento econômico no futuro, segundo fontes de seu governo.
Por sua vez, ministro brasileiro da Fazenda, Guido Mantega, antecipou que uma das medidas que o país proporá em Seul é que o FMI crie um índice que possa identificar os países que estão desvalorizando artificialmente seus moedas.