Em um momento de atividade forte do setor automotivo em que a produção caminha para bater recorde em 2010, a indústria brasileira de veículos encerrou outubro com o maior número de trabalhadores contratados em quase duas décadas.

Após encerrar outubro com produção de veículos 5,5 por cento maior que setembro e um volume produzido de janeiro a outubro 15,3 por cento acima do registrado um ano antes, as montadoras instaladas no país apuraram um total de 135.253 postos de trabalho ocupados, maior número desde os 136 mil de janeiro de 1991. Na comparação com outubro de 2009, o número de trabalhadores é 11 por cento maior, afirmou nesta segunda-feira a associação de montadoras, Anfavea.

Segundo o presidente da Anfavea, Cledorvino Belini --também presidente do grupo Fiat para a América Latina--, a tendência é de expansão, com as expectativas de que as vendas no mercado interno em 2011 serão pelo menos um dígito maiores que este ano, acompanhando a expansão do Produto Interno Bruto (PIB). Além disso, o setor segue com estimativa de vendas de 5 milhões de veículos em 2015, ante 3,4 milhões previstos para este ano.

No mês passado, o setor produziu 321,8 mil veículos. No acumulado dos dez primeiros meses do ano, o Brasil registra produção de 3,04 milhões de veículos.

Segundo Belini, o avanço percentual da produção no acumulado de janeiro a outubro foi ajudado também por uma fraca base de comparação com 2009, já que os primeiros meses do ano passado foram prejudicados por um volume excessivo de estoque de veículos que fez o setor cortar atividade para se adequar.

Já as vendas somaram 303,2 mil veículos em outubro, queda de 1,3 por cento na comparação mensal, mas alta de 3 por cento ante o mesmo mês de 2009. Foi o quarto mês consecutivo de vendas acima do patamar de 300 mil unidades e a expectativa da Anfavea é que o nível se mantenha nos dois últimos meses do ano, uma vez que a expectativa de vendas para todo o ano foi mantida em 3,4 milhões de unidades, alta de 8,2 por cento sobre 2009.

De janeiro a outubro, os emplacamentos totalizam 2,81 milhões de veículos, crescimento de 8 por cento.

O setor encerrou o mês passado com estoque de 299.546 veículos, equivalente a 30 dias de vendas, nível considerado 'bom' para um período de fim de ano, disse Belini.

No início de outubro, a Anfavea elevou sua projeção de produção de veículos no país em 2010 de 3,4 milhões para o recorde de 3,6 milhões, alta de 13,1 por cento sobre 2009. A revisão foi motivada por aumento das exportações que até outubro acumulam expansão de 61,1 por cento sobre um ano antes, para 10,54 bilhões de dólares.

Apesar do salto, o número não é encarado como de todo positivo pelo setor.

'Em outubro passado ainda tinha o reflexo da crise internacional sobre os mercados internacionais (...) Ainda estamos abaixo dos 12 bilhões de dólares de exportações registrados entre janeiro e outubro de 2008', disse Belini. 'Como o número de unidades exportadas é o mesmo, isso significa que estamos exportando mais CKDs (veículos desmontados).'

Em unidades, as vendas externas no ano até outubro são de 649,3 mil veículos, ante 640,5 mil no mesmo período de 2008 e 371,5 mil de janeiro a outubro de 2009.

Já as importações, que se aproveitam de um ambiente de real valorizado, subiram 2,9 por cento no mês passado sobre setembro, para 59.220 unidades. Esse volume representa uma participação de 19,5 por cento do total das vendas no país, maior percentual do ano desde os 20,1 por cento de janeiro.

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A Fiat registrou vendas de 62.946 automóveis e comerciais leves em outubro, recuo de 5,8 por cento sobre setembro. A Volkswagen vendeu 61.351 unidades no mês passado, alta de 2,2 por cento contra o mês anterior.

Já a General Motors comercializou 55.910 automóveis e comerciais leves em outubro, queda de 5,2 por cento mês a mês. A Ford apurou vendas de 29.474 mil unidades, expansão de 8,6 por cento.

As vendas de caminhões, isoladamente, somaram 13.516 unidades em outubro, crescimento de 2,2 por cento sobre setembro, enquanto as de caminhões pesados foram de 4.362 em outubro, alta de 6,4 por cento sobre setembro.

A produção de caminhões, enquanto isso, caiu 0,8 por cento sobre setembro, para 16.422 unidades, e a de caminhões pesados cedeu 0,3 por cento na mesma base de comparação, para 5.303 veículos.

A Volvo registrou vendas de 915 caminhões pesados em outubro, ante 914 unidades em setembro. A Scania comercializou 1.351 unidades, contra 1.402 no mês anterior. A Mercedes-Benz registrou 1.116 licenciamentos de caminhões pesados em outubro, sobre 1.383 em setembro.