Por várias vezes sua “derrota política” foi proclamada, inclusive este ano, quando foi “apenas” o segundo senador mais votado do Estado e seu candidato ao governo perdeu as eleições no segundo turno, mas como sempre acontece, Renan Calheiros parece pronto para dar a volta por cima.
O alagoano é considerado o favorito para ocupar a presidência do Senado em 2011. Esta seria a volta por cima de um senador que já ocupou este cargo e saiu em 2007, depois de uma saraivada de denúncias, expondo sua vida pessoal, com a revelação de patrimônios e casos extra-conjugais.
A volta de Renan a presidência do Senado seria um “prêmio” ao político que defendeu, inclusive no plenário, com unhas e dentes o atual mandatário do cargo José Sarney de uma série de denúncias semelhantes ao que ocorreu com ele.
Dono da maior bancada –19 senadores—, o PMDB, partido de Renan, tem o direito regimental de indicar o substituto de José Sarney, o seu principal adversário que seria Aécio Neves, que em tese teria a chance de arregimentar apoio de diferentes partidos, já disse ontem que não disputaria o cargo.
A seu estilo Renan mantém o silêncio sobre o seu pleito, mas já vem arrumando espaço dentro do governo para os possíveis adversários dentro do partido, como Edison Lobão, que terá o seu apoio e o de Sarney para ocupar o ministério das Minas e Energias.
A própria Dilma Roussef sabe que Renan seria um aliado importante do governo a frente da presidência do Senado, e sua presença pode ser fundamental para a manutenção da aliança PT-PMDB em níveis aceitáveis.
O próprio Renan sabe, no entanto, que sua caminhada não será fácil. Seu nome encontra resistência dentro do próprio partido e enfrentará fortíssima oposição do PSDB, DEM e outros partidos.
O que ainda não é certo é se o senador alagoano usará, na busca da presidência do Senado, dos mesmos métodos que utilizou para se livrar da cassação de seu mandato, quando foi julgado pelo plenário, numa votação apertada, 40 votos pela absolvição, 35 pela degola e 6 abstenções.
O que pode ser afirmado é que Renan ganha uma sobrevida à cada derrota e jamais pode ser subestimado em relação ao seu poder político em Alagoas e no Brasil.

