O papa Bento XVI pediu este sábado à Europa para "abrir-se a Deus" e qualificou de "tragédia" que, a partir do século XXI, se espalhe na Europa "a convicção de que Deus é o antagonista do homem", durante missa em Santiago de Compostela (noroeste da Espanha).
"A Europa há de se abrir a Deus, sair ao seu encontro sem medo"; "é necessário que Deus volte a ressoar sob os céus da Europa", instou o Papa durante missa ao ar livre celebrada em Santiago de Compostela, um dos principais centros de peregrinação católica na Europa.
"É uma tragédia que na Europa, sobretudo no século XXI, se afirme e divulgue a convicção de que Deus é o antagonista do homem e o inimigo de sua liberdade", continuou.
"A Europa da ciência e das tecnologias, a Europa da civilização e da cultura tem que ser, ao mesmo tempo, a Europa aberta à transcendência e à fraternidade com outros continentes, ao Deus vivo e verdadeiro a partir do homem vivo e verdadeiro", estimou.
Segundo Bento XVI, as raízes e tradições cristãs estão na origem das "grandes criações filosóficas e literárias, culturais e sociais da Europa".
Também estimou que as ideias defendidas pelos anticlericais e os ateus eram uma tentativa de "ofuscar a verdadeira fé bíblica em Deus".
"Como é possível que se negue a Deus (...) o direito de propor esta luz que dissipa toda escuridão?", questionou o Papa.
O Papa se opõe com frequência à "secularização" da sociedade europeia. Em outubro, criou o conselho pontifício para a nova evangelização, um ministério encarregado de fazer frente à queda da prática e ao risco de desaparecimento do cristianismo na Europa.