No dia 30 de outubro de 2007, o Brasil era escolhido pela Fifa para sediar a Copa do Mundo de 2014. Passados exatos três anos, existem obras em seis estádios dos 12 que serão utilizados. Além disso, há várias indefinições, como a sede do Estado de São Paulo, o estádio da abertura e as adequações da reforma do Beira-Rio, no Rio Grande do Sul.
O mais provável é que a sede em São Paulo seja o novo estádio do Corinthians, que ainda terá que ser construído e cujo projeto original tem capacidade menor do que a Fifa determina para sediar a abertura do Mundial. Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, porém, a abertura será, de fato, no campo construído no bairro de Itaquera, na capital paulista, cidade com mais força econômica da federação.
Mesmo assim, as sedes de Minas Gerais e Bahia já estão pleiteando a oportunidade de abrir o torneio, uma vez que as obras em São Paulo estão estagnadas e os estádios do Morumbi e Arena Palestra ainda sonham em receber partidas da competição.
No Rio Grande do Sul, o projeto do estádio Beira-Rio, do Internacional, sofre com as exigências da Fifa, que gostaria de ver o gramado rebaixado. Por custar mais caro, a possibilidade é rechaçada pelos dirigentes do clube, o que criou um imbróglio entre as duas entidades. Um "plano B", porém, ainda não existe e a casa do time colorado deve mesmo ser a sede gaúcha.
O primeiro palco que iniciou as obras foi o Estádio Mineirão, em Belo Horizonte. A primeira fase do projeto começou em janeiro deste ano e o estádio foi fechado para partidas oficiais, visando à realização da segunda fase apenas no dia 5 de junho de 2010. Pensando nos jogos da Copa das Confederações em 2013, projeta-se que a conclusão das reformas ocorra em dezembro de 2012.
Na Bahia, o Estádio da Fonte Nova foi implodido no dia 29 de agosto de 2010 e as obras seguem dentro do planejado. No dia 5 de setembro de 2010, foi a vez do Maracanã, possível palco da final, ser impedido de receber jogos oficiais para a realização das obras de 2014.
O Estádio Vivaldão, no Amazonas, iniciou sua demolição no dia 4 de maio de 2010, mas teve os trabalhos adiados por problemas que a construtora encontrou para levar seus equipamentos para Manaus - além de uma suspeita da Controladoria Geral da União de superfaturamento na compra de materiais.
No Mato Grosso, o Estádio José Fragelli, o Verdão, teve vários adiamentos. As demolições já iniciaram, mas as obras de fundação, que deveriam começar em setembro, foram novamente postergadas. No Distrito Federal, uma suspeita de superfaturamento também atrasou as obras de fundação, e na última sexta-feira um operário sofreu um acidente ao cair em um fosso de aproximadamente 15 metros.
Confira a situação das 12 sedes do Brasil para a Copa de 2014
São Paulo (SP)
Estádio: provavelmente, o futuro estádio do Corinthians
Previsão de orçamento: R$ 350 milhões (para 48 mil lugares) ou R$ 530 milhões (para 70 mil lugares)
Construtora: Odebrecht
Situação: as obras de construção só devem começar em 2011. Os dutos da Petrobras que atravessam o local não devem causar nenhum problema, já que a construtora garante que eles passam apenas pela área que será o estacionamento
Rio de Janeiro (RJ)
Estádio: Maracanã
Previsão de orçamento: R$ 705,6 milhões
Construtoras: Andrade Gutierrez, Odebrecht e Delta
Situação: já foi fechado para a realização de obras e segue o cronograma planejado para ser o palco da final da Copa
Belo Horizonte (MG)
Estádio: Mineirão
Previsão de orçamento: R$ 743,4 milhões
Construtoras: Egesa, HAP e Construcap
Situação: das três fases programadas, a segunda já está em andamento, com a demolição de arquibancadas e rebaixamento do campo. Com o cronograma em dia, as obras devem ser concluídas no final de 2012 e o estádio ainda pleiteia a abertura da Copa
Curitiba (PR)
Estádio: Arena da Baixada
Previsão de orçamento: R$ 130 milhões
Construtora: não definida
Situação: a casa do Atlético-PR deve iniciar as reformas apenas em 2011. A fonte do financiamento das obras foi o responsável pelo atraso. No último dia 26 de outubro, foi definido que o clube receberá títulos de potencial construtivo da prefeitura de Curitiba no valor de R$ 90 milhões
Natal (RN)
Estádio: Arena das Dunas
Previsão de orçamento: R$ 400 milhões
Construtora: não definida
Situação: o edital de licitação da parceria público-privada se encerra no próximo dia 4 de novembro, às 9h, e até o momento já atraiu 27 consórcios e empresas. Com isso, as obras de demolição do Machadão devem ocorrer apenas em 2011
Manaus (AM)
Estádio: Vivaldão
Previsão de orçamento: R$ 499,5 milhões
Construtora: Andrade Gutierrez
Situação: as obras de demolição começaram, mas foram interrompidas pela demora que a construtora teve para levar seus equipamentos para Manaus. Além disso, a Controladoria Geral da União suspeita de superfaturamento na compra de materiais e interrompeu a cessão de verbas do BNDES
Salvador (BA)
Estádio: Arena Fonte Nova
Previsão de orçamento: R$ 591 milhões
Construtoras: Odebrecht e OAS
Situação: implosão do estádio já foi realizada. No momento, ocorrem as obras de fundação para que a reconstrução seja executada. Os trabalhos seguem dentro do cronograma planejado
Brasília (DF)
Estádio: Nacional Mané Garrincha
Previsão de orçamento: R$ 696 milhões
Construtoras: Via Engenharia e Andrade Gutierrez
Situação: demolição das arquibancadas já foram iniciadas, mas uma suspeita de superfaturamento suspendeu o edital e atrasou as obras de fundação. Previsto para abrigar 72 mil pessoas, o estádio sofre pressão do Ministério Público para que a capacidade seja reduzida para 30 mil
Cuiabá (MT)
Estádio: Arena Cuiabá
Previsão de orçamento: R$ 342 milhões
Construtoras: Santa Bárbara e Mendes Júnior
Situação: já foi iniciado o processo de demolição. Contudo, as obras foram adiadas por falta de um alvará da prefeitura, o que já foi resolvido. Se o estádio vai bem, a falta de modernização do aeroporto Marechal Rondon preocupa a Fifa
Fortaleza (CE)
Estádio: Castelão
Previsão de orçamento: R$ 452,2 milhões
Construtoras: Galvão Engenharia, Serveng Civilsan e BWA
Situação: o processo de licitação se arrastou entre fevereiro e outubro de 2010. O consórcio vencedor só foi homologado no último dia 29. A previsão é que as obras demorem entre 24 e 26 meses e comecem apenas em 2011, depois que o estádio receber um ou dois jogos do Campeonato Cearense
Recife (PE)
Estádio: Arena Pernambuco
Previsão de orçamento: R$ 464 milhões
Construtoras: Odebrecht, ISG e AEG Facilities
Situação: o contrato para a construção da obra foi assinado apenas no dia 15 de julho de 2010. O terreno onde será construído o quarto estádio da cidade (que já conta com a Ilha do Retiro, o Aflitos e o Arruda) teve diversos problemas para desapropriar imóveis - as 117 famílias já deixaram o local e ainda restam 20 a serem indenizadas - e conseguir a autorização da Agência Estadual de Meio Ambiente
Porto Alegre (RS)
Estádio: Beira-Rio
Previsão de orçamento: R$ 155 milhões
Construtora: nenhuma
Situaçao: as obras foram iniciadas no dia 29 de agosto de 2010, com a colocação de pilares para a nova cobertura. Contudo, a Fifa passou a exigir o rebaixamento do gramado, o que elevaria o custo da reforma para até R$ 270 milhões. O Internacional, dono do estádio, afirmou que não tem condições de bancar o novo gramado sozinho e pode ter que recorrer a uma construtora para concretizar o projeto. Enquanto isto, o arquirrival Grêmio, que irá reformar seu estádio, começa a pleitear a possibilidade de receber o Mundial