O ex-governador de Alagoas, Manoel Gomes de Barros disse estar surpreso com o indiciamento pela Polícia Federal referente ao inquérito que apurou o superfaturamento em obras da macro-drenagem do Distrito Industrial, no bairro do Tabuleiro dos Martins, em Maceió.
Mostrando-se indignado com a ação da PF, Mano se defendeu, afirmando que sua participação nas obras se deu apenas em assinar as ordens de serviço. “Tinha uma equipe de técnicos, engenheiros, profissionais que realizaram todos os levantamentos referentes a essa obra. Se eu, como governador, fizesse o trabalho deles, eu não precisaria de equipe. Não sou eu quem deveria ser punido. Fui indiciado por crime ambiental. Nem sei ao menos do que se trata, não sou nem engenheiro”, dispara.
O ex-governador também confirmou que recebeu a intimação para prestar depoimento, marcado para a semana passada, na Polícia Federal. De acordo com Mano, o seu não-comparecimento tem uma explicação. “Meu advogado estava viajando. Quando ele retornou, esteve por duas vezes na PF para tentar remarcar meu depoimento, mas não encontrou o delegado”.
Ele se defendeu ainda afirmando que a legislação permite que ele fosse intimado pelo menos três vezes. “Não tenho nada a esconder. Estou aqui para colaborar com a Polícia, Justiça, Ministério Público. Não sei dizer quantas vezes Lessa foi intimado, mas eu só fui uma, e não me neguei a prestar depoimento, só não pude comparecer no dia marcado”, relembrou.
Mano foi ainda categórico ao afirmar achar estranho todo esse processo acontecer na reta final das eleições. “Acho muito estranho tudo isso acontecer agora, em plena etapa final da campanha. Nem candidato eu sou. Isso acaba depondo contra a instituição e prejudica Lessa”.
O ex-governador desabafou: “Fui governador do Estado e pago o preço por isso até hoje”. Mano finalizou a entrevista afirmando que seu advogado já está adotando providências em relação ao seu indiciamento.
Indiciados
Além de Manoel Gomes de Barros, o candidato Ronaldo Lessa (PDT), o empresário Zuleido Veras – proprietário da Construtora Gautama – e outras três pessoas foram indiciados nesta terça-feira (26) pela Polícia Federal de Alagoas. O indiciamento dos seis é referente a obra de macrodrenagem do Tabuleiro dos Martins, onde segundo investigações, houve um superfaturamento na ordem de R4 14 milhões.
O delegado Felipe Vasconcelos Correia, concluiu o inquérito 051/2009 que já foi encaminhado à 2ª Vara da Justiça Federal, que deverá notificar os envolvidos. O inquérito será levado da Corregedoria da Justiça Federal para o Ministério Público Federal.
O grupo foi indiciado pelos crimes de fraude em licitação, peculato, formação de quadrilha e crime ambiental. O indiciamento aconteceu de forma indireta, já que os acusados da fraude não compareceram aos depoimentos marcados para a semana passada na Polícia Federal.
