O pai de Joanna Marcenal Marins, André Marins, foi transferido na manhã desta terça-feira para o presídio de Bangu 8, na zona oeste do Rio de Janeiro. Ele foi preso na noite desta segunda-feira e passou a noite na DCAV (Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima).

A prisão preventiva foi decretada pelo juiz Guilherme Schilling Pollo Duarte, que aceitou a denúncia do Ministério Público contra Marins e sua atual mulher, Vanessa Maia, sob a acusação de tortura e homicídio qualificado. A madrasta de Joanna, porém, não teve a prisão decretada. Ambos negam as acusações.

Joanna morreu no dia 13 de agosto, aos cinco anos, após passar quase um mês em coma. O pai começou a ser investigado depois que a mãe da menina, a médica Cristiane Marcenal Ferraz, encontrou marcas no corpo dela e suspeitou de maus tratos.

A criança estava provisoriamente com o pai e a madrasta desde o fim de maio --a Justiça determinou o afastamento da mãe por 90 dias por entender que a menina sofria de síndrome de alienação parental, presente quando um dos genitores tenta afastar o filho do outro.

No inquérito, foi constatado que Joanna teve meningite causada pelo vírus da herpes. Na avaliação da promotora que ofereceu a denúncia, ela acabou falecendo porque Marins e Maia foram omissos e não procuraram ajuda médica imediatamente.

Também contribuiu para o desfecho o fato de a menina ter sido atendida por um falso médico quando o casal a levou ao hospital RioMar, da Barra da Tijuca. Alex Sandro da Cunha Souza teve a prisão decretada, mas está foragido. A médica apontada como responsável por sua contratação, Sarita Fernandes, está presa.

As investigações também apontam que, antes de contrair meningite, Joanna foi queimada por "meio físico ou químico" e deixada em condições degradantes, com as mãos e pés atados com fita crepe e suja de fezes e urina.

A unidade de Bangu 8, para onde André foi levado, recebe os presos com curso superior. Estão detidos no local, entre outros, o ex-banqueiro Salvatore Cacciola e a procuradora aposentada Vera Lúcia Gomes, condenada em primeira instância sob a acusação de torturar uma menina de dois anos que pretendia adotar.