Embora minoria na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), a oposição ao governo de Alberto Goldman (PSDB) pretende buscar entre os partidos aliados ao governo federal as assinaturas necessárias para emplacar a CPI do Metrô (Companhia do Metropolitano de São Paulo). A intenção dos parlamentares é investigar possíveis irregularidades na licitação da Linha 5 (Lilás), colocada sob suspeita após reportagem do jornal Folha de S.Paulo revelar que o resultado já era conhecido há seis meses, quando José Serra, candidato à Presidência, era governador do Estado.
O pedido foi protocolado nesta terça-feira (26) pelo deputado estadual Major Olímpio (PDT) e, segundo ele, o documento já tinha dez assinaturas até o fim da sessão de ontem. Para conseguir que a comissão seja instalada, ele precisa juntar o número mínimo de 32 adesões entre os 94 membros da Casa. Juntos, porém, a oposição soma apenas 24 deputados.
A aposta de Olímpio é conseguir o apoio de deputados que não conseguiram se eleger e também daqueles que pertencem a partidos alinhados com o governo estadual em São Paulo, administrado pelo PSDB, mas que também compõem a base de apoio do governo petista no âmbito nacional. O pedetista cita o PMDB, o PSB e o PR como exemplos.
- Vou buscar assinatura entre todos os deputados. Com a eleição temos um novo ajuntamento de alianças e não teremos problemas em conseguir as 32.
Após a notícia, o governo de São Paulo mandou suspender o contrato e Goldman pediu a abertura de uma investigação no Ministério Público Estadual para que se apure a denúncia.
Segundo o candidato à Presidência, José Serra (PSDB), que era o governador na época em que a obra foi licitada, é preciso uma investigação para apurar um possível acordo entre as construtoras. O candidato, porém, eximiu-se da responsabilidade e declarou que o processo ocorreu depois que ele deixou o cargo no governo.
Olímpio, que nega interesse eleitoral no pedido de CPI, diz que a reação de Serra já era esperada.
- Nunca é com ele. O Paulo Preto [ex-diretor da Dersa suspeito de fugir com dinheiro da campanha tucana] ele não conhecia. Agora ele vai jogar nas costas do Goldman e vai dizer que é questão eleitoral.