As equipes indonésias de socorro chegaram nesta quarta-feira, apesar do mau tempo, às ilhas Mentawai, ao oeste de Sumatra, para ajudar os desabrigados e tentar localizar cerca de 412 desaparecidos após o terremoto que originou um tsunami e deixou, até o momento, 272 mortos, segundo balanço oficial.

No píer da cidade de Padang, no litoral da ilha de Sumatra, a cerca de 150 km do arquipélago de Mentawai, os serviços de socorro prepararam centenas de sacos plásticos para colocar os corpos. "As horas passam e tem muita gente ainda desaparecida", disse Ade Eward, chefe de operações da Agência Nacional de Gestão de Desastres, na tarde de terça-feira, quando as autoridades começaram a receber alarmantes dados sobre os efeitos do terremoto de 7,5 ºC.

Quase ao mesmo tempo, vários helicópteros com pessoas dos serviços de resgate saíram de Padang rumo ao arquipélago de Mentawai, que tem algumas ilhas parcialmente submersas há dois dias.

O Ministério da Saúde apontou que o tsunami, que alcançou uma altura de 6 m e penetrou 600 m em terra firme, destruiu ou causou muitos prejuízos em dezenas de aldeias de Mentawai, povoada por 62 mil habitantes. As tarefas de assistência aos desabrigados e a localização de desaparecidos foram prejudicadas pelo forte temporal e por contínuas réplicas do tremor.

Hermansyah, funcionário do escritório da agência de desastres em Padang, afirmou que pelo menos um dos navios que zarparam do porto, com material humanitário, rumo à Mentawai teve que retornar devido ao mau tempo. O serviço Nacional de Meteorologia informou que, na região ocidental de Sumatra, o clima continuará sendo adverso durante os próximos dias.

A Cruz Vermelha Internacional e as autoridades indonésias estimaram que, pelo menos, 4 mil casas e edifícios, a maior parte localizada nas ilhas de Pagai Utara (norte) e Pagai Selatan (sul), foram destruídas pelo tsunami, e seus moradores se protegeram nas áreas mais altas.

Entre os povos mais prejudicados, está o Betumonga, em Pagai Utara, onde pelo menos 89% das casas, a maioria muito rudimentar, foram destruídas ou danificadas. Os navios do serviço de transporte marítimo que fazem a rota entre Padang e o arquipélago de Mentawai, formado por cerca de 70 ilhas e ilhotas, demoram uma média de dez horas para completar o trajeto.

Fontes oficiais indicaram que uma equipe de especialistas do escritório das Nações Unidas se deslocou nesta quarta-feira até a zona afetada para avaliar as necessidades da população, apesar de, a princípio, o governo indonésio considerar desnecessário solicitar ajuda internacional.

"Estamos na fase de busca e resgate. O Governo faz tudo o que pode para resgatar e ajudar os que necessitam", disse em Jacarta o porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores, Marty Natalegawa. Ele anunciou que o presidente indonésio, Susilo Bambang Yudhoyono, se dirigia em um avião rumo a Sumatra vindo do Vietnã, onde iria participar da cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).

Ao desastre causado pelo tsunami na segunda-feira, se uniu no dia seguinte a erupção do vulcão do monte Merapi, na região central da ilha de Java, e que deixou, pelo menos, 21 mortos e 91 feridos. A falha onde ocorreu o terremoto é a mesma que, em 26 de dezembro de 2004, causou um terremoto de 9,1 ºC e depois um tsunami que destruiu localidades litorâneas de várias nações banhadas pelo oceano Índico, e deixou 226 mil mortos.

Padang, que, como as ilhas Mentawi, fica sobre um placa tectônica de grande atividade sísmica, foi no ano passado cenário de um terremoto de 7,6 ºC, que matou mais de 700 pessoas.

A Indonésia está situada no chamado "Círculo de Fogo do Pacífico", uma região de grande atividade sísmica e vulcânica que é sacudida por cerca de 7 mil tremores por ano, a maioria de pouca magnitude e que passam despercebidos para a população.