A letra da música diz assim: "Marta seu futebol é tudo. Marta é a melhor do mundo". Foi com os versos da canção lançada pelo grupo Boca de Forno, de Maceió, que a atacante do Los Angeles Sol e da Seleção Brasileira ilustrou o bate-papo com o GLOBOESPORTE.COM, na Granja Comary, em Teresópolis, região serrana do Rio de Janeiro.
Veja músicaem homenagem a Marta
No último domingo, Marta participou da goleada da Seleção Brasileira por 7 a 0 sobre o Haiti e marcou apenas um gol. Ela deixou o campo no intervalo, iniciou o alongamento e foi logo assediada pelas adversárias, ávidas por uma foto ou um autógrafo. No alambrado, torcedores gritavam pela atacante, que sorria e acenava. O assédio das haitianas e do povo nas ruas chamou a atenção da atleta, eleita a melhor do planeta pela Fifa em quatro oportunidades (2006, 2007, 2008 e 2009) e candidata novamente em 2010.
- É bacana todo esse carinho. Temos que retribuir de alguma maneira - afirmou a jogadora, admitindo ao longo do bate-papo a vontade de retornar ao Brasil para defender um clube do país.
Mas a simpatia de Marta não é privilégio apenas dos fãs por conta de seu trabalho nas quatro linhas. Fora de campo, a jogadora foi nomeada recentemente embaixadora de boa vontade do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Na conversa na Granja Comary, ela relembrou a escolha.
- Estou orgulhosa de me comprometer pessoalmente nesse trabalho. É otimo trabalhar para fazer com que a vida das pessoas seja diferente. Não esqueci minhas origens - afirmou a jogadora, que nasceu em Dois Riachos, no interior de Alagoas.
E foi justamente mostrando tal simpatia que Marta foi desenrolando a entrevista com tranquilidade. Além de comentar os próximos passos na Seleção Brasileira, que em novembro vai disputar o Sul-Americano, competição que vale vaga para o Mundial da categoria, ele falou de seu desempenho no Gold Pride, clube que defende atualmente. Em 2010, ela se sagrou campeã da Liga Americana, jogando pela equipe que ficou na lanterna em 2009.
Confira os principais trechos da conversa com a atacante brasileira:
GLOBOESPORTE.COM: Quais são as expectativas para o Sul-Americano?
MARTA: São grandes as expectativas porque é um campeonato que nos dá a chance de disputar um Mundial. Estamos focados, trabalhando todos os dias para chegar no torneio e fazer um belo trabalho. Queremos jogar mais uma vez o Mundial.
No ano passado, o Los Angeles Sol fez um grande investimento e ficou com a segunda colocação na Liga Americana. Este ano, você foi para o Gold Pride, pior equipe no ano passado, e foi campeã. Como vê a mudança?
M: O Sol era uma equipe de alta qualidade, com jogadoras de alto nível. Jogamos a liga regular, ganhamos com uma margem boa de pontos. O problema é que tivemos duas ou três semanas de pausa antes da final e esse foi um dos fatores para que não fossêmos bem na final. Chegamos sem estar 100%, sem estar concentradas. Perdemos uma jogadora logo no início da partida decisiva e isso nunca tinha acontecido ao longo da temporada. Não tínhamos a expectativa de jogar com uma a menos e isso dificultou. Muitas jogadoras não estavam preparadas para jogar a final. Não vou tirar o mérito da equipe que venceu a final, mas tínhamos que ter tido um trabalho melhor. E qual foi a motivação no Gold Pride?
M: Fui para o Gold Pride devido ao término da franquia do Los Angeles Sol. Era um time que ficou em último e muita gente disse que eu iria para o pior time. Foi uma motivação a mais para virar o resultado para positivo. A equipe, por ter sofrido no ano passado, entrou com um ânimo maior. Algumas meninas foram para outras equipoes, mas quem ficou queria virar essa história, virar a tabela de cabeça para baixo (de último para primeiro). Ganhamos a temporada regular, ganhamos a final da liga, tivemos a melhor goleira, a melhor jogadora, a revelação, melhor defesa, melhor ataque. Foi perfeito e me dá prazer em falar disso tudo. A nossa equipe foi muito criticada no começo do ano.
Pensa em chegar aos mil gols?
M: Devo ter uns 300 ou 350 gols na carreira. Querer chegar aos mil todos querem, mas acho um pouco impossível, principalmnente no futebol feminino. As meninas não tem uma temporada cheia como tem o masculino, que joga o ano inteiro. Quem joga lá fora tem atividade por seis, sete meses e dificulta muito atingir essa marca. Acho impossível bater esse recorde no masculino também, mas deixa o recorde nas mãos do Pelé que está muito bom.
Tem algum objetivo no futebol que ainda não alcançou?
M: O sonho de qualquer brasileira é jogar no seu país e eu ainda tenho esse sonho. Quero ter esse carinho e essa ligação com o torcedor brasileiro.
Já está negociando um retorno?
M: Tenho uma vontade imensa de jogar para sempre no Brasil., mas ainda tenho mais um ano de contrato no Gold Pride. Vamos esperar um pouco mais. Agora não será possível.
