A mídia alagoana mais uma vez foi fundamental para ajudar a população a escolher seus candidatos nesta eleição, que teve a internet - que abriga as redes sociais, a exemplo do Orkut e twitter - como um poderoso instrumento para a conquista de votos. A manipulação das informações e as denúncias contra os adversários políticos também nortearam o pleito, tanto no primeiro quanto no segundo turno.

A cobertura de importantes decisões também deu novos rumos à política brasileira, como a Lei Ficha Limpa, criada por meio de um projeto de iniciativa popular idealizado pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), que fez muitos candidatos desistirem de disputar as eleições e gerou discussões acerca de sua validade, por conta das contradições no texto final aprovado no Congresso Nacional.

O Cadaminuto ouviu três profissionais da área de comunicação, que avaliaram a cobertura eleitoral feita pela mídia no Estado. Eles lembraram a importância da internet para o pleito deste ano e ainda, as implicações dos veículos de comunicação pertencerem a políticos que se candidataram. O “ataque” a alguns candidatos, como o ex-presidente e senador por Alagoas, Fernando Collor também foi analisado.

Para Luiz Dantas, professor do curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) ficou claro o ataque a determinados candidatos na cobertura da imprensa, que ressaltou índices de rejeição e fatos passados. Ele afirmou que usar o termo igualdade para os candidatos, em relação ao espaço na mídia, é muito complicado em ano eleitoral.

“Os adversários massacraram o Collor e não houve muita reação da parte dele. Para isso, usaram a questão da rejeição que ele tem em determinadas camadas da sociedade. O apoio dele a Ronaldo Lessa também é alvo de ataques. O sistema eleitoral está falido. Existe uma legislação que age de forma pontual, mas há casos e casos. Mesmo quando o eleitor escolhe o candidato puxador de votos, outros acabam se elegendo, além de haver a expectativa dos suplentes”, destacou.

O professor afirmou que o país deve ser unir para que haja uma reforma no sistema de representação social, lembrando que casos como o de Tony Cloves, que ao participar do debate promovido pela TV Pajuçara ganhou notoriedade e a simpatia dos alagoanos no twitter, mas que acabou ficando fora do debate da TV Gazeta, já aconteceu em outros Estados.

“O candidato do PCB caiu no gosto de uma parcela do eleitorado alagoano, apesar do discurso por vezes contraditório. O povo também é assim, usa um critério para votar em governador e outro para escolher os deputados. Ele ficou a vontade e como marketeiro sei o quanto é difícil preparar um candidato à majoritária para um debate”, afirmou.

Dantas disse que neste pleito a internet foi pouco explorada, a exemplo de muitos sites de candidatos, que deixaram a desejar, afirmando ainda, que como eleitor se sentiu constrangido pelo fato do candidato do PCB ter sido barrado no debate da emissora de maior audiência do Estado, por motivos que segundo ele, não convenceram. Para o professor, por terem concessão pública a TV e o rádio têm a obrigação de dar espaço a todos.

“Interagir na internet ás vezes demanda dinheiro, para adquirir equipamentos como Smartphones, por isso acho que a efetividade desse meio de comunicação nas eleições ainda é uma promessa. Quando estou fora do estado acesso os sites daqui para me manter informado, faz parte do meu cotidiano. Já acessar as redes sociais dos políticos é algo que as pessoas fazem eventualmente. A internet serviu mais como canal para boataria e ficou mais para polícia do que para política”, ressaltou.

Segundo o jornalista e ex-secretário estadual de comunicação, Joaldo Cavalcante em um estado pequeno, onde os políticos são detentores de uma estrutura televisiva, por exemplo, os agentes políticos têm envolvimento direto com o controle dos meios de comunicação, o que prejudica a cobertura jornalística, que não é feita proporcionalmente entre os candidatos.

“Muitas vezes essa manipulação é feita de forma subliminar, sempre há um direcionamento. Esse é um aspecto que está sempre presente no pleito, basta analisar as matérias veiculadas em ano eleitoral. O ideal seria uma cobertura isenta, dando espaço a todos para que a sociedade escolha aqueles que têm as melhores propostas”, lamentou.

Cavalcante lembrou que jornalismo é apuração, pois quando há veiculação de uma matéria inverídica, mesmo a concessão do direito de resposta não é suficiente para reparar os estragos feitos com notícias caluniosas. Para ele, muitos sites também foram tendenciosos em sua abordagem política.

“O prazo é curto e quando a resposta sai o eleitor já tirou suas conclusões acerca do que viu antes. Nos sites de notícias basta ver a exposição da imagem dos candidatos, além das matérias. No segundo turno há uma clara preferência por determinado candidato nos veículos de comunicação. Mas, acredito que esses erros possam contribuir para o processo de aperfeiçoamento da mídia em Alagoas”, destacou.

Para Volnei Malta, coordenador editorial do O Jornal, a legislação atual evoluiu bastante, obrigando a mídia a dar o mesmo espaço a todos os candidatos e coligações em época de eleição. Mas, segundo ele, a emoção de simpatizantes dos políticos ás vezes impede que isso aconteça com isenção e reclamações se tornam comuns acerca da propaganda eleitoral.

“Este ano as campanhas foram mais amplas, contaram com as redes sociais e os portais de notícias, que deram um show, em termos de instantaneidade. Críticas e reclamações fazem parte do processo eleitoral e é papel dos opositores fazê-las. A questão é coibir os abusos e para isso existe o Ministério Público Eleitoral”, afirmou.

Ele destacou que o fato de políticos terem ligação direta com a mídia, tanto como proprietários quanto como anunciantes, não interfere na decisão dos eleitores. “No O Jornal tentamos tratar todos os candidatos de forma igual, mas existem aqueles preferidos da população. Parece injustiça, só que nem todos os políticos geram notícias e assim, não se destacam”, ressaltou.