O Ministério da Justiça negou na tarde deste sábado ingerência sobre investigações da Polícia Federal. Em nota, o ministro Luiz Paulo Barreto sustenta que não influencia inquéritos e garante que nunca recebeu ordem para fazê-lo.
O comunicado é uma resposta a reportagem da revista Veja, que reproduz conversas gravadas na sala do ex-secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, e no gabinete do próprio ministro.
Nas escutas, Barreto reclama da suposta independência do diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, que tocaria apurações contra pessoas próximas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sem consultá-lo.
Segundo a revista, o ministro se referia ao possível indiciamento do chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, no inquérito da Operação Satiagraha.
Na nota, Barreto não faz referência ao episódio. Apenas argumenta que a PF tem autonomia.
"A Polícia Federal é hierarquicamente subordinada ao Ministério da Justiça, mas autônoma com relação às suas investigações. O ministro da Justiça informa que jamais recebeu qualquer solicitação com relação aos rumos dos inquéritos da Polícia Federal, quaisquer que sejam", assegura o texto, que cita números exaltando o desempenho da corporação no governo Lula.
"A condução dos inquéritos é definida pela própria polícia, sob critérios técnicos e republicanos. Exemplo disso é que, de 2003 a 2010, foram deflagradas mais de 1100 operações, que atingiram indistintamente todos os envolvidos nos casos investigados, fossem eles cidadãos comuns, empresários, funcionários públicos, policiais, políticos de quaisquer partidos ou detentores de importantes cargos de governo", salienta o ministério.
