O Ministério Público da Costa Rica abriu uma investigação para apurar danos a um pântano em uma área protegida na região de fronteira com a Nicarágua, que aparentemente foram causados nas obras de dragagem do rio San Juan por parte das autoridades nicaraguenses, informou neste domingo a imprensa local.
O promotor de Pococí, da província costa-riquenha de Limón (Caribe), Celso Gamboa, afirmou neste domingo em declarações ao jornal La Nación que foi detectada a poda de árvores e acumulação de cerca de 2,5 mil metros quadrados de sedimentos em um pântano, depositados, segundo a Costa Rica, pela draga nicaraguense.
"Não há possibilidade concreta de saber nomes porque não podemos entrar no lado nicaraguense a identificá-los, mas o que as evidências estão dizendo é que foram os operários da draga", afirmou Gamboa.
O promotor visitou a área na última sexta-feira, dia em que um contingente de 70 policiais armados se deslocou até a Isla Calero para "resguardar a soberania do país e garantir a paz e a tranquilidade de seus habitantes", segundo disse o ministro de Segurança, José María Tijerino.
Segundo o ministro, a missão foi concluída "com sucesso" no mesmo dia e foi confirmado o dano ambiental ao pântano. Naquele momento, não havia militares nicaraguenses em solo costa-riquenho e a draga foi removida.
Uma família da Costa Rica que vive na Isla Calero denunciou há vários dias que o ex-comandante sandinista Edén Pastora, encarregado das obras de dragagem, invadiu sua propriedade acompanhado de militares e os expulsou do lugar. A denúncia também está sendo investigada pela Promotoria.
Tijerino explicou que durante os próximos dias os policiais costa-riquenhos sobrevoarão o lugar para garantir que não se repitam violações à soberania do país, mas afirmou que se trata de ações pacíficas.
Na região também há uma equipe da Cruz Vermelha preparada para atender possíveis pessoas atingidas por balas ou pelas minas terrestres em decorrência do conflito armado nicaraguense que se prolonga há mais de duas décadas.
A Costa Rica enviou na última quinta-feira uma nota de protesto ao Governo da Nicarágua na qual denuncia que a draga ancorada na margem do rio tinha um encanamento que ingressava em território costa-riquenho para depositar sedimentos.
Na nota, a Costa Rica qualificou os fatos como "uma violação inaceitável da soberania" e exigiu que a situação não se repita.
A presidente costa-riquenha, Laura Chinchilla, declarou que os policiais realizam ações preventivas que não têm intuito de provocação e que a situação está sendo manejada de forma institucional, por meio das chancelarias e embaixadas.