O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, prometeu na sexta-feira acabar rapidamente com a crise do lixo em Nápoles, enquanto as imagens de detritos acumulados e das manifestações abalam ainda mais o seu governo, que já vive uma situação politicamente delicada. Pelo menos 20 policiais ficaram feridos em confrontos na quinta-feira, e durante a noite ocorreram novos episódios de violência na cidade, a terceira maior do país, que vive um crônico problema com a gestão do lixo.

Centenas de toneladas de lixo estão espalhadas pelas ruas napolitanas por causa da polêmica envolvendo um novo aterro sanitário no subúrbio de Terzigno, onde o atual lixão está sobrecarregado e os moradores se queixam do mau cheiro e de contaminações. Berlusconi prometeu investir 14 milhões de euros para modernizar o aterro sanitário de Terzigno, e diz que o local não representa uma ameaça à saúde pública.

"Esperamos que dentro de dez dias a situação em Terzigno possa voltar ao normal", disse ele durante entrevista coletiva em Roma, após uma reunião emergencial com ministros, com o governador regional e com o chefe da Agência de Proteção Civil. Berlusconi costuma citar a limpeza das ruas de Nápoles, logo após a sua posse em 2008, como um dos principais feitos do seu governo. Ele recentemente perdeu parte de sua bancada parlamentar devido ao rompimento com o ex-aliado Gianfranco Fini, e agora está sob ameaça de ter de enfrentar eleições antecipadas.

Nem todos os protestos em Nápoles têm sido violentos, mas durante a noite a polícia enfrentou cerca de 2 mil manifestantes que atiravam pedras, bolas de gude e rojões, e que usavam árvores para bloquear o acesso ao aterro sanitário, que fica próximo a um parque nacional no sopé do monte Vesúvio. A crise do lixo em Nápoles se arrasta há anos, o que levou em 2008 o então recém-eleito Berlusconi a declarar situação de desastre nacional.

O crime organizado tem profundos interesses envolvendo a questão do lixo em Nápoles, e o problema também é agravado pela ineficiência. Em Bruxelas, um porta-voz da Comissão Europeia, que tomou medidas judiciais para forçar a Itália a resolver a crise, disse estar estudando a reação vinda de Roma.

"Os procedimentos infracionais continuam," disse o porta-voz Joe Hennon a jornalistas. "As autoridades italianas precisam preparar um plano para gerenciar o lixo na região."