O Rio Negro registrou nos últimos dias a segunda maior seca da história, de acordo com o relatório da Defesa Civil de Manaus. Os dados mostram que o rio está 14,27 metros abaixo do normal abaixo da marca necessária.
Segundo a Defesa Civil, a maior seca foi em 1963, quando o Negro testava a 13,64 metros abaixo do marca inicial, que começa no zero no nível do rio, como uma régua. O ano de 1906 aparece como a época, então, da terceira maior vazante do rio, quando o órgão municipal marcou 14,20 metros abaixo do esperado.
O órgão municipal explicou que o nível do rio Negro marca, por meio de uma régua, a marca zero. Quanto menor o número de metros registrados, maior a seca, porque maior o afastamento em relação ao nível do rio.
Desabamentos
A Defesa Civil afirmou que a correnteza do rio Solimões, que encontra com o rio Negro em Manaus, formando o rio Amazonas, é sempre muito forte. Com isso, é responsável pelos grandes desabamentos de encostas, porque destrói as terras por baixo. Os desabamentos ocorrem nas duas estações do ano registradas no Amazonas, inverno e verão, tanto com o rio cheio, ou na época da vazante.
Nesta quinta-feira (21), o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil de Manaus encontrou o corpo de mais uma criança desaparecida após deslizamentos. O corpo estava boiando a cerca de 6 km de um porto, depois que desapareceu em Manacapuru, cidade a 100 km de Manaus e foi reconhecido pela família.
Na quarta-feira (20), por volta das 15h30, foi encontrado o corpo de Anderson da Silva Leite, de 1 ano, irmão da criança vista hoje.
Segundo Elma Pinheiro, coordenadora da Defesa Civil, a área é considerada de risco e não é a primeira vez que desmoronamentos atingem os moradores. Na terça-feira (19), ela afirmou que cerca de 250 famílias, que vivem em casas na encosta do rio Negro e em flutuantes (casas montadas em balsas), estavam sendo transferidas para dois alojamentos da prefeitura da cidade e para uma igreja próxima à área.
A assessoria de imprensa da prefeitura disse que a notificação da Defesa Civil foi feita ao antigo prefeito da cidade, Edson Bessa, cassado em abril deste ano por irregularidades na gestão. No lugar dele, ficou o segundo colocado nas eleições, Angelus Figueira.
Cobertores e mantimentos foram distribuídos pela administração municipal. A assessoria de imprensa ainda informou que as famílias que não puderem voltar para suas casas terão casas alugadas pela prefeitura.
Chibatão
Ainda nesta quinta, bombeiros e PM faziam buscas por dois funcionários que desapareceram após um deslizamento na região de Chibatão, também em Manaus. Eles trabalhavam no nivelamento do terreno, em uma área de aproximadamente 2 km², quando a terra cedeu no porto, no domingo (17). Pelo menos 30 carretas e 50 contêiners foram soterrados.
De acordo com o Corpo de Bombeiros da cidade, estão sendo feitas buscas apenas por mergulhadores. A possibilidade das vítimas estarem em terra foi descartada.