Após a derrota nas eleições, a crise definitivamente chegou ao PSOL e não tem dia para acabar. Com o anúncio da ‘aposentadoria’ precoce de Heloísa Helena – referência partidária nacional –, a legenda fica sem representatividade ‘física’: sendo fadada ao nanismo. De acordo com o vereador Ricardo Barbosa, integrante do diretório nacional, essa dependência é o “pecado original” de seu partido.

O ex-candidato ao Governo, na eleição de 2006, concordou que o resultado desta eleição ficou muito aquém da expectativa.

“De fato, saímos desta eleição bastante sentido. Com as nossas vísceras expostas. Mas, pensar em racha é um pouco demais”, esclarece. Ele conta que o momento é de reestruturação interna, fazer exposição da questão pode dificultar – ainda mais – o processo.

Como reflexo desta centralização está o fato da vereadora não pedir voto para o seu partido.

“Eu senti falta dela pedir votos para a legenda. Essa estratégia foi um equívoco. Eu sei que não chego aos pés de uma figura pública como Heloísa, mas tenho um mandato, assim como ela. Disputei o Governo em 2006 e, mesmo assim, fui deixado de lado. Mesmo com a sensação de ter feito uma boa campanha”, lamentou o vereador.

Barbosa conta que esse ‘fio de ligação’ foi cortado: consciente ou inconscientemente.

“O resultado foi expor, ainda mais, as divergências internas que surgiram neste processo eleitoral. Alimentar a popularidade individual da senadora é o pecado original do partido. Desde o seu berço, ele foi projetado com uma figura central. Isso, por si só, gerou um prejuízo político inestimável”, considera.

Como vereador e pela experiência política adquirida, o socialista acredita que Heloísa Helena não pode substituir um partido político.

“Ela é fruto de um projeto político. Sua candidatura representa ideais, pessoas que acreditam em um determinado projeto. Nem ela, nem Lula, são individualmente suficientes. Insistir nestes posicionamentos é conspirar contra uma esquerda que a construiu”, sentenciou.

Sobre a aposentadoria de sua correligionária, Ricardo Barbosa acredita que o mundo ‘esquerdista’ não deve deixar de existir. “Absolutamente. O mundo não vai parar porque Heloísa desistiu de lutar. Qualquer que seja o posicionamento dela, não acredito que a esquerda vai deixar de existir. Outros nomes devem surgir e a luta, certamente, irá continuar”, concluiu.

A entrevista foi concedida antes de Heloísa Helena divulgar, em nota, o seu afastamento do diretório nacional do partido, por conta de uma moção de apoio à candidatura de Dilma Rousseff (PT) – neste segundo turno.

“Assim sendo, em respeito à nossa Militância e aos muitos Dirigentes que tanto admiro e por total falta de identidade com as posições assumidas nos últimos meses pela maioria das Instâncias Nacionais tenho clareza que melhor será para a organização e estruturação do Partido o meu afastamento e a minha permanência como Militante Fundadora do PSOL”, explicou a vereadora.