As Forças Armadas dos Estados Unidos reuniram uma equipe de 120 pessoas para avaliar o impacto da possível publicação de 400 mil documentos sobre a guerra do Iraque no site Wikileaks.

Segundo o porta-voz do Pentágono, coronel Dave Lapan, há indícios de que o site - especializado em divulgar informações confidenciais de governos e organizações - pode publicar os dados entre segunda e terça-feira.

Outras fontes do Pentágono indicam que a divulgação pode ocorrer somente no fim de outubro. No momento, o Wikileaks está fora do ar, alegando uma "manutenção programada".

Em julho, o Wikileaks ganhou repercussão internacional ao publicar mais de 70 mil documentos militares secretos dos Estados Unidos sobre a guerra no Afeganistão.

De acordo com Lapan, os dados a serem publicados, que supostamente vazaram de uma base de dados localizada no Iraque, consistem em "operações importantes, relatórios de unidades, relatórios táticos" e outros documentos do tipo.

O porta-voz afirma que os documentos devem ser devolvidos porque o Wikileaks não tem, na avaliação do Pentágono, a "perícia necessária" para lidar com eles.

"Não é tão simples quanto somente apagar nomes de pessoas. Existem outras coisas e documentos que não são nomes e que também são potencialmente danosos."

Risco para civis
A divulgação de dados realizada em julho pelo Wikileaks fez com que autoridades militares americanas alertassem para o risco de mortes tanto de soldados quanto de civis, pois os papeis continham nomes de afegãos que haviam colaborado com as forças aliadas.

No entanto, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, disse em uma carta a um comitê do Senado que o vazamento não havia revelado "fontes ou métodos delicados de inteligência."

O presidente Barack Obama também afirmou à época que o dossiê não trazia novidades.

A investigação sobre o vazamento de dados sobre o Afeganistão foi centrada em Bradley Manning, um analista do exército americano acusado de divulgar o vídeo de um ataque de helicóptero no Iraque, ocorrido em 2007, que deixou dezenas de mortos.

O criador do Wikileaks, o australiano Julian Assange, está sendo investigado por estupro na Suécia. Ele nega as acusações e se diz vítima de uma campanha de difamação orquestrada por opositores do site.