A mobilização contra a reforma do sistema de aposentadoria continua na França com um novo dia de protesto, que reuniu entre 825 mil e 3 milhões de manifestantes. Uma greve nas refinarias faz crescer o temor de desabastecimento de combustível nos aeroportos parisienses.

Pela quinta vez consecutiva, os franceses se manifestaram contra esta reforma impopular que prevê o aumento da idade mínima de aposentadoria de 60 para 62 anos.

Como acontece desde o início do movimento, governo e sindicatos apresentam contagem diferente sobre a participação popular.
Segundo o Ministério do Interior, 825 mil pessoas foram às ruas (50 mil em Paris), no "mais baixo nível de participação" registrado desde setembro.

A CGT, um dos principais sindicatos franceses, contou "cerca de 3 milhões" de pessoas nas ruas (310 mil na capital).

Greve pode provocar desabastecimento

Neste sábado (16), o conjunto das 12 refinarias francesas estava em estado de greve e dez pararam, informou a União francesa das Indústrias de Petróleo (Ufip), enquanto grevistas continuavam a bloquear alguns depósitos de combustível.

O temor ao desabastecimento é uma realidade e a ministra da Economia, Christine Lagarde, aconselhou os franceses a "não entrarem em pânico". Segundo ela, a França está preparada e há estoque de combustível em quantidade suficiente para várias semanas.]

Mas os aeroportos franceses poderiam enfrentar a falta de querosene já no início da semana: o oleoduto que abastece os aeroportos parisienses está funcionando de maneira descontínua e o Roissy não dispõe de reservas - apenas até a noite de segunda (18) ou terça-feira (19), segundo o ministério da Ecologia.
Centenas de postos de gasolina estão fechados ou foram afetados. Os proprietários de veículos preocupados enfrentam filas nas bombas.