Grande parte do programa do presidenciável tucano José Serra, veiculado no rádio durante o horário eleitoral gratuito na manhã desta quarta-feira (13), foi utilizado para disparar críticas contra a adversária petista Dilma Rousseff. A propaganda comparou, mais uma vez, a trajetória dos candidatos e afirmou que existem duas "Dilmas": a da manhã e a da tarde.
"Pelo menos duas têm né? Porque ela tem pelo menos duas opiniões sobre cada coisa. De manhã um troço, de tarde outro", disse um dos personagens serristas. Um jingle em ritmo de repente questionou ainda o posicionamento da candidata sobre assuntos diversos. "Como é que dá pra confiar? Não sei quem é. Do MST ela reclama na entrevista, mas sai na foto da revista com o boné. (...) Na Casa Civil, a Erenice era parceira. A casa caiu, ela não sabe nem quem é. O que ela diz, muda o tempo todo. Assim parece que nem ela bota fé", dizia a letra.
Uma conversa entre dois locutores criticou ainda os ataques à campanha tucana. "Você percebeu que candidato que não tem trabalho próprio para mostrar fica atacando os outros só pra confundir a cabeça do eleitor?", perguntou. "Isso é insegurança de quem nunca disputou uma eleição", respondeu. Ambos classificaram como ruins as experiências de Dilma como Secretária Municipal da Fazenda de Porto Alegre e como dona de uma loja que vendia produtos a R$ 1,99.
A liberação da verba para construção do metrô de Fortaleza, o programa Remédio em Casa e o Seguro Desemprego foram citados como ações de Serra. "Continuidade é responsabilidade. (...) Aliás, eu às vezes me pergunto. Por que não continuaram o que eu fiz na saúde? Os mutirões, não fizeram mais genéricos, mais programa da saúde da mulher? Se tivessem dado continuidade, a saúde não estaria do jeito que está hoje, você concorda?", perguntou o tucano aos eleitores.
Por sua vez, a propaganda de Dilma também não poupou ataques a Serra, colocando em questionamento as ações do tucano enquanto Ministro do Planejamento no governo de Fernando Henrique Cardoso e como governador de São Paulo. "O Brasil não tinha nenhum grande programa habitacional", disse um dos locutores, completando que São Paulo é o Estado com maior déficit habitacional, de 1 milhão e 100 mil moradias.
Em contraposição, o programa apresentou depoimentos de Dilma para a área. "Criei e coordenei o programa Minha Casa, Minha Vida. (...) Vamos duplicar a sua meta construindo dois milhões de moradias nos próximos quatro anos. Nós não ficamos falando que vamos fazer, nós fazemos", disse a petista.
A inserção também afirmou que Serra não teve nenhum grande programa de transferência de renda e não apoiou o Bolsa Família em São Paulo. "Essa é outra diferença fundamental entre os dois modelos que estão ai. No nosso governo 28 milhões de brasileiros saíram da miséria. No governo passado isso jamais teria acontecido, porque o Brasil era governado para poucos", disse Dilma.
As privatizações de empresas, como a Vale do Rio Doce e a Companhia Siderúrgica Nacional, também foram citadas. "Em São Paulo, Serra e os tucanos privatizaram 30 empresas e, na média, criam um novo pedágio nas estradas paulistas a cada 40 dias, cobrando um preço extorsivo da população", disse a locutora. "Mais uma vez, nosso caminho é totalmente outro. É o de valorizar as empresas e os patrimônios dos brasileiros", disse Dilma, lembrando que a Petrobras se tornou a segunda maior empresa de petróleo do mundo.
Um jingle em ritmo de forró apresentou a biografia da candidata e, como de costume, a imagem da "mulher" foi mais uma vez explorada pelos petistas.