A Defesa Civil da cidade de São Paulo de Olivença informou nesta terça-feira que a terra voltou a deslizar na cidade, aumentando para 106 o número de casas destruídas. Ao todo, foram desalojadas 143 famílias.
O deslizamento, considerado um desastre natural, é causado pela seca do rio Solimões. O fenômeno é conhecido por terras caídas. "O solo é arenoso, quando a água baixa [na seca], o solo sede também e vai junto com a água do rio", afirma o coordenador da Defesa Civil, Edivilson Braga.
Em todo o Amazonas, segundo a Defesa Civil Estadual, 44 mil famílias de 29 municípios foram atingidas pela seca. O Estado tem 62 cidades.
Com apoio de aeronaves da FAB (Força Aérea Brasileira), o órgão enviou 15 mil cestas básicas e 7.140 kits de material de higiene e remédios para cidades margeadas pelo alto rio Solimões.
Nesta quarta-feira (13) serão enviados mais 10 mil cestas para serem distribuídas a partir da base de Tefé (525 km de Manaus).
Entre as famílias desalojadas em São Paulo de Olivença (988 km oeste de Manaus), 45 estão abrigadas em escolas públicas. As outras estão em casas de parentes na própria cidade ou em municípios vizinhos.
A nova faixa de terra que deslizou na cidade fica entre os bairros Santa Teresinha e a região central. Agora são 1,5 km de área interditada com altura que varia de 30 a 60 m, a partir da margem direita do rio Solimões.
Segundo o coordenador da Defesa Civil, desde a madrugada de ontem equipes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros, transferidas de Manaus, trabalham no mapeamento da área atingida. Nenhum prédio público foi afetado pelo desastre.
São Paulo de Olivença tem mais de 30 mil habitantes. Com o deslizamento de terra, a prefeitura decretou nova situação de emergência. Desde agosto, o município enfrenta situação de emergência por causa da seca do rio Solimões.
Segundo o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), a seca na região do Solimões e do rio Negro se estenderá até o mês de novembro. O fenômeno é mais intenso por causa da estiagem nas nascentes dos rios.
Milhares de comunidades estão isoladas porque lagos e igarapés estão secos. O maior problema da população é a falta de água potável.
RECURSOS
Na última sexta-feira (8), portaria da Secretaria Nacional de Defesa Civil reconheceu a situação de emergência em 21 cidades do Amazonas. A portaria permite o início de ações para amenizar a situação do Estado por meio de transferências obrigatórias da União aos órgãos e entidades estaduais.
Os recursos podem ser usados para as ações de socorro, assistência às vítimas, restabelecimento de serviços essenciais e reconstrução nas áreas atingidas.
De acordo com a Agência Nacional de Águas, a seca no Estado do Amazonas é uma das maiores dos últimos anos. Por causa da falta de chuva, os rios Javari, Juruá, Japurá, Acre, Negro, Purus, Iça, Jutaí, Solimões e Madeira estão com níveis abaixo da média.
Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria Nacional de Defesa Civil, nos meses de fevereiro e março deste ano foram enviadas cerca de 6.000 cestas básicas para oito cidades do Amazonas afetadas pela estiagem.