O Corinthians vê o Campeonato Brasileiro como a salvação do ano do centenário. Mas, ontem, a equipe do Parque São Jorge desceu aos vestiários ouvindo vaias dos quase 27 mil torcedores que estiveram no Pacaembu. A derrota por 4 a 3 para o Atlético-GO, que luta contra o rebaixamento, foi implacável. O time perdeu o apoio do seu torcedor e, de quebra, o técnico. Depois de quase 40 minutos de silêncio ao fim da partida, o diretor de futebol Mario Gobbi anunciou a saída de Adilson Batista, dono da vaga deixada por Mano Menezes há pouco mais de dois meses. O nome de Parreira é um dos cotados para substituí-lo.

Além das vaias, Adilson também ouviu gritos de "burro". O treinador não conseguiu manter o padrão de jogo outrora visto pelos corintianos. Enfrentou problemas com jogadores, especialmente com lesões, mas ouvia críticas sobre a maneira como montava a equipe e fazia substituições. Sob o seu comando, o Corinthians perdeu a "gordura" acumulada no Campeonato Brasileiro - nos últimos cinco jogos, conquistou apenas dois pontos. Com 49 conquistados, o Alvinegro parou na 3.ª posição e viu, em Uberlândia, a ascensão do Cruzeiro à liderança, com 54.

Apesar do cenário cinzento, o Corinthians ainda depende de suas próprias forças para continuar na disputa ao título. Na quarta-feira, pode encostar nos líderes se derrotar o Vasco, em São Januário, em jogo que deveria ter sido disputado na 13.ª rodada, mas foi adiado. Uma vitória recoloca o time na briga pela liderança - chegaria aos 52, mesmo número de pontos do vice-líder Fluminense. Só não se sabe, ainda, quem comandará o elenco, sem rumo, no Rio.

Decisão surpreendente. Coube ao diretor de futebol Mario Gobbi anunciar que Adilson Batista não era mais o técnico do Corinthians pouco mais de dois meses após sua contratação. "O Adilson é uma cabeça muito privilegiada. Ele é uma pessoa muito especial com quem eu tive o prazer de conviver", disse o dirigente, selecionando palavras elogiosas ao profissional que também defendeu o clube como jogador. "Ele entendeu que, no momento, seria melhor tomarmos este caminho. De comum acordo, aceitamos."

Gobbi classificou a decisão como "madura e equilibrada", adjetivos que não combinam com uma saída conduzida no vestiário do time após vexatória derrota. "Chamamos o capitão (Adilson), conversamos, passamos toda a situação para que ele. Estamos tratando a questão com a serenidade que tem de ser. Um dia ele retornará a esta casa."

Adilson, porém, já balançava no comando do Corinthians. O técnico desagradava boa parte do grupo (veja análise abaixo). Era considerado um comandante sem jogo de cintura e que "queimava" os atletas. Somado a isso, os resultados não vinham . O técnico, contudo, negou qualquer problema com o grupo. "Nenhum atleta tentou me derrubar. Essa história faz parte daqueles fantasminhas que vocês (referindo-se aos jornalistas) plantam e que não existem."

Adilson também teria ficado descontente com a permissividade da diretoria. No sábado, o clube abriu as portas do CT do Parque Ecológico para dirigentes da principal torcida organizada. Gobbi, contudo, afastou a hipótese de a torcida ter pedido a cabeça do treinador. "Não vinculem as duas coisas. Uma não tem nada a ver com a outra. Os torcedores pediram para passar uma mensagem positiva aos jogadores. Não houve discussão sobre o Adilson, não houve ameaça, nada disso."

O ex-treinador afirmou que as críticas da torcida fazem parte. "Evidente que eu não acho legal esse tipo de situação, mas tenho minha consciência tranquila por ter trabalhado exaustivamente."

Os torcedores, aliás, fizeram questão de demonstrar o descontentamento. Quase 1h30 após o fim do jogo, muitos esperavam a saída dos jogadores cantando refrões como "não é mole, não, tem que ser homem para jogar no Coringão". Os atletas, temendo o pior, saíram juntos e foram para o ônibus. O veículo, para evitar a torcida, abandonou o estádio usando a contramão.