Daniel Alves e André Santos são dois dos já “intocáveis” de Mano Menezes na nova fase da seleção brasileira. O rótulo pesa, mas os laterais são titulares absolutos da equipe nacional, desfrutam de prestígio dentro do grupo e correspondem em campo com atuações decisivas, já que ganharam maior liberdade para apoiar o ataque.

Dos cinco gols feitos pelo Brasil com o novo treinador, três saíram dos pés da dupla. Daniel Alves abriu o placar na vitória por 3 a 0 sobre o Irã, na última quinta-feira, em Abu Dhabi. Estufou as redes com um golaço de falta quando a partida estava difícil, logo depois de gol mal anulado dos asiáticos.

André Santos, por sua vez, deu duas assistências até agora. Diante do Irã, serviu Nilmar no terceiro gol, com cruzamento na medida. Já na estreia de Mano contra os Estados Unidos, em agosto, foi dele o passe também da linha de fundo para Neymar abrir o placar no triunfo por 2 a 0, em New Jersey.

Contra os iranianos, inclusive, Daniel Alves e André Santos foram bem marcados. Mesmo assim, conseguiram participar de dois gols. “Eles seguraram bastante nossos laterais. Foi uma partida interessante para analisarmos outras características em necessidades diferentes”, analisou Mano.

No passado recente, durante a “era Dunga”, Daniel Alves era presença constante nas convocações e foi para a Copa do Mundo, mas quase sempre amargou a reserva de Maicon. Só ganhou mais espaço quando Dunga passou a utilizá-lo no meio-campo, improvisado. O treinador preferia a força física de Maicon, em fase tão boa na Inter de Milão com a de Daniel no Barcelona.

Mas o cenário mudou com Mano. O treinador ainda não deu sinais de que pretende contar com Maicon. Já chamou três laterais que atuam pela direita: além de Daniel Alves, convocou também Rafael, do Manchester United, e Mariano, do Fluminense e integrado à equipe na Inglaterra.

Melhor para Daniel Alves, que aos 27 anos é um dos mais experientes do grupo atual e tem grande confiança de Mano. Não à toa, quando Robinho foi substituído diante do Irã, a faixa de capitão foi para o braço do lateral-direito.

André Santos também chegou à seleção pelas mãos de Dunga. Durante a Copa das Confederações de 2009, sua primeira competição, ganhou a posição de Kléber. Contudo, sua principal missão era marcar. Atacar, sua especialidade e que lhe rendeu destaque pelo Corinthians, era mais raro.

Para a Copa, Dunga optou por Michel Bastos e Gilberto para a lateral esquerda, sendo que ambos atuavam como meias por seus clubes (Lyon e Cruzeiro, respectivamente). Eles foram meros coadjuvantes na fracassada campanha na África do Sul.

Agora, Daniel Alves e André Santos vivem fase especial. São dois dos quatro atletas (Victor e David Luiz são os outros) que atuaram os 180 minutos que a seleção já jogou na era Mano e devem continuar na equipe diante da Ucrânia, às 15h30 (de Brasília) desta segunda-feira, em Derby, na Inglaterra. Eles só saem do time se o treinador quiser testar os reservas.