O cientista político Alberto Saldanha revelou, em entrevista exclusiva ao Cada Minuto, que o cenário político que se desenha, no segundo turno, não terá mais a luta do “Bem contra o Mal”. A disputa focada em Ronaldo Lessa (PDT) e Teotonio Vilela Filho (PSDB) deixa de lado uma regra que vem se aplicando, pleito após pleito, desde 1994.
“A luta do Bem contra o Mal está fora. O que vamos ter é um embate entre a capacidade administrativa de cada candidato. Neste caso, eles terão que se enfrentar abertamente: trazendo documentos, provas, agredindo diretamente um ao outro”, adiantou. Com isso, a influência dos presidenciáveis será determinante neste processo.
Saldanha acredita que tanto José Serra (PSDB), quanto Dilma Rousseff (PT), devem marcar presença no palanque dos dois candidatos. “Téo Vilela não poderá mais deixar o Serra de lado e associar sua imagem à de Lula. Ele deve reivindicar seu espaço. Afinal, ele ganhou da petista em Maceió. Fato que demonstra uma sociedade elitista e um erro do governador: em associar sua imagem ao PT. A diferença entre ele e Lessa poderia ser bem maior”, destaca.
Para o pesquisador, Ronaldo Lessa entra fortalecido neste segundo turno. Afinal, sobre a sua candidatura não pesa mais o rótulo da ilegalidade. “Com a questão ficha suja sanada, o ex-governador mantém os votos declarados no primeiro turno, o mesmo anunciado pelas pesquisas. Agora, ele deve tentar arrebanhar mais eleitores, para isso, ele vai ter que ampliar suas alianças, inclusive com candidatos derrotados” alerta.
Neste sentido, além dos esquerdistas – PSOL e PCB – Lessa terá que sentar para negociar com o ex-presidente, Fernando Collor de Mello (PTB). Sobre Collor, Alberto Saldanha conta que ele não deve fazer questão de subir no palanque, ou melhor, “aparecer na foto”. “Todo mundo quer o apoio dele, mas ninguém o quer ao lado: interessante, esse fenômeno. Por isso, ele deve negociar o seu passe até o fim da eleição”, encerra o assunto.
PSOL: a falência de um partido exclusivista
Sobre o PSOL, Saldanha destaca que a derrota do partido – e, conseqüentemente, de sua candidata ao Senado, Heloísa Helena – se dá à falência do modelo de partido exclusivista. “A derrota da vereadora não se deu por causa da ‘dancinha’ do Benedito de Lira (PP). É preciso reconhecer que não se pode andar sozinho”, adianta.
O pesquisador revela que a impressão que o partido sai, após esta eleição, é a de um grupo sem unidade. “Ficou exposto o racha que existe, dentro do partido, em Alagoas. No último guia do Mário Agra, apenas os candidatos a deputado de seu grupo apareceram. Onde estava o outro grupo, liderado pelo vereador Ricardo Barbosa?”, provoca.
