As polícias civil e militar do Rio de Janeiro apreenderam 2.141 fuzis em todo o Estado de 2000 a junho deste ano. O total de armas seria suficiente para abastecer ao menos 13 batalhões da PM e não chega nem perto do arsenal que está nas mãos dos traficantes cariocas.
Segundo policiais ouvidos pelo R7, só o complexo de favelas do Alemão, na zona norte, tem cerca de 1.500 fuzis, armas de uso exclusivo das Forças Armadas e das polícias. Nesta década, foram apreendidas no Rio 116.347 armas de fogo - 30 armas por dia, em média.
Morros e favelas da região metropolitana do Rio de Janeiro são o principal destino das armas de alto poder de fogo. Os traficantes precisam dos fuzis para dominar o território, situação diferente da verificada em São Paulo e em Estados do Nordeste, onde os bandidos costumam alugar armas, principalmente, para assaltos a banco e carros fortes.
Cerca de 90% das armas que chegam ao Rio saíram do Paraguai, de acordo com a Drae (Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos). O restante tem a Bolívia como origem.
Antes de chegar às favelas cariocas, os fuzis - fabricados na Alemanha, Bélgica, Argentina e China, entre outros países - passam por Paraná e Mato Grosso do Sul, com paradas em Goiás e Minas Gerais (veja o infográfico abaixo). Os fuzis chegam aos países vizinhos por meio de contrabando.
Há modelos do russo AK-47, fabricado na China; do belga FAL (Fuzil Automático Leve), produzido no Brasil; e do alemão G3, vindo da Venezuela. Os fuzis saem do Paraguai custando entre R$ 14 mil e R$ 20 mil. Nas favelas, o preço quadruplica para até R$ 80 mil.
As pistolas - 1.204 armas do tipo foram apreendidas nos primeiros seis meses do ano - custam no Rio R$ 5 mil cada. Uma granada, comum em arrastões, sai a R$ 500.
O modelo mais procurado é o FAL calibre 7.62 - usado pelo Exército - porque a munição é fácil de ser encontrada. A arma mede 1,10 m e pesa 4,9 kg. A uma velocidade de 850 metros por segundo, um tiro atinge com precisão um alvo a até 900 m. O alcance total passa dos 2 km.
Em setembro passado, o estudante Mateus Queiroz, de 13 anos, foi morto por uma bala perdida dentro de um posto de saúde em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. A polícia diz acreditar que o tiro de fuzil tenha partido da favela da Mangueirinha, a 2,1 km de distância da unidade.