As autoridades iranianas anunciaram que prenderam espiões que tentavam, através da internet, sabotar o programa nuclear do país.

"O Irã impediu que os inimigos executassem uma ação destrutiva", afirmou o ministro da Inteligência, Heydar Moslehi, sem revelar o número de pessoas detidas nem a data das prisões.

O ministro sugeriu que os detidos são ligados "aos poderes hegemônicos". Esta expressão é como as autoridades iranianas costumam referir-se ao Ocidente, em particular aos Estados Unidos, o Reino Unido e a Israel.

"Os serviços de segurança fazem uma vigilância completa da internet e não permitirão nenhum vazamento do programa nuclear iraniano, nem a destruição de suas atividades", disse Moslehi.

"O inimigo criou e enviou um vírus pela internet para atingir as atividades nucleares do Irã", afirmou Moslehi citado pela agência de notícias Mehr e pela televisão estatal PressTV.

"Sempre estamos enfrentando essas atividades destrutivas de outras agências (de espionagem), e, naturalmente, detivemos um grupo de espiões nucleares para frear os movimentos do inimigo", afirmou.

A este respeito, Moslehi insistiu que o Irã possui "equipes com rapidez suficiente para detectar e resistir aos passos destrutivos dos poderes hegemônicos na internet". "Posso garantir que as forças de inteligência têm a experiência necessária e o controle sobre o ciberespaço, e não permitirão que o inimigo se infiltre e danifique os avanços nucleares nacionais", disse.

As declarações do ministro da Inteligência ao que tudo indica estão relacionadas com o vírus Stuxnet, que ataca os sistemas de informática industriais do Irã, onde 30 mil computadores já foram afetados.

O Stuxnet, detectado em junho, busca nos computadores um programa da empresa alemã Siemens usado para controlar oleodutos, plataformas de petróleo, centrais elétricas e outras instalações industrias.

O vírus afetou particularmente o Irã, mas também fez estragos na Índia, Indonésia e Paquistão. Alguns especialistas afirmaram que o Stuxnet tinha como alvo a central nuclear de Boucheher, que os iranianos pretendem colocar em funcionamento nos próximos meses.