As primeiras perícias da Polícia Civil de São Paulo na sala de aula da Escola Adventista do Embu (Grande SP), onde o garoto Miguel Cestari Ricci dos Santos, 9, foi baleado anteontem, apontam que o local foi lavado antes mesmo da chegada das autoridades.
Os testes realizados pelos peritos com o reagente químico luminol confirmam que a sala de aula foi limpa antes da perícia ter sido feita. O luminol revelou o local das manchas, já limpas.
Peritos e médicos-legistas também concluíram que Miguel foi morto com um tiro à queima-roupa e que partiu de um revólver calibre 38.
A camiseta usada por Miguel tem marcas de chamuscamento causado por pólvora, bem como a sua pele apresenta a chamada "tatuagem", marca que confirma o tiro a curta distância.
Ainda pela análise dos investigadores da Polícia Civil, peritos e médicos-legistas, é possível afirmar que o projétil que atingiu Miguel era velho, sem a potência de uma munição em estado de conservação normal.
O projétil disparado contra Miguel o atingiu no lado esquerdo do abdômen e ficou alojado perto de seus rins. Para a polícia, um outro aluno da turma de Miguel, que cursava a quarta série, pode ter atirado.
Ao todo, a turma de Miguel tinha 37 crianças --20 já foram ouvidas. Nos depoimentos dos alunos, segundo o delegado Carlos Cerone, existem contradições.
Para o delegado Marcos Carneiro Lima, chefe do Demacro (Departamento de Polícia Judiciária da Macro SP), a escola precisa colaborar mais com as investigações.
"A escola está numa situação delicada, mas ela precisa colaborar. O garoto não morreu na hora que foi baleado. Quando foi para o hospital, ele estava consciente. Quem o socorreu deve ter perguntado o que aconteceu", disse.
Álbum de família
Estudante Miguel Cestari Ricci, de 9 anos, morre após ser baleado dentro de escola na cidade de Embu, na Grande SP
Estudante Miguel Cestari Ricci, de 9 anos, morre após ser baleado dentro de escola na cidade de Embu, na Grande SP
Quem levou Miguel para o hospital foi o diretor da escola, Alan Fernandes de Oliveira. Em depoimento informal, Oliveira afirmou que o garoto não contou o que aconteceu.
No enterro, ontem, familiares questionaram o fato de o colégio não ter acionado o resgate e ter levado o menino em carro particular para hospital a 25 km da escola.
Caso seja comprovado que a arma que matou Miguel pertencia ao pai de algum aluno, ele será responsabilizado por negligência na guarda de armamento e, se condenado, poderá pegar de um a dois anos de prisão.