No último debate da campanha eleitoral, realizado nesta quinta-feira à noite pela Rede Globo, os dois candidatos à Presidência que lideram as pesquisas - Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) - evitaram confronto direto.
Todos os quatro participantes, que incluiu Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), passaram ao largo dos escândalos que marcaram a campanha, como as denúncias de tráfico de influência que derrubaram a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra e a violação de sigilo de tucanos na Receita Federal. Dilma e Serra disputaram a paternidade de programas sociais como o Bolsa Família. E Marina, a terceira colocada e em ascensão nas pesquisas, foi a mais incisiva ao atacar tanto o PT como o PSDB.
O debate foi dominado por questões programáticas. Logo no primeiro bloco, a defesa da reforma da Previdência uniu Serra e Marina. Os dois concordaram que é preciso ter regimes diferentes para os novos trabalhadores, que estão entrando no sistema, pois aqueles que já estão têm direitos adquiridos. Dilma não se posicionou claramente sobre o tema.
Marina critica "soluções mágicas"
Ao responder a uma pergunta de Serra sobre reforma da Previdência, Marina deixou clara sua estratégia de manter o tom crítico em relação ao tucano e a Dilma. Fez, ao longo do debate, críticas "aos últimos 16 anos" de governo. Foi a mesma resposta que deu ao falar sobre a política habitacional do país, já no terceiro bloco.
- De fato nós temos graves problemas na Previdência e temos que enfrentar enquanto a população é jovem. Se não enfrentarmos agora, pagaremos um preço muito alto. Vejo que, em época eleitoral, vão criando soluções mágicas, que não estão vinculadas com a realidade, indo para o promessômetro. A reforma da Previdência está no vácuo em todos os governos. Nem no governo do PSDB nem no atual governo - disse a verde.
Serra se defendeu:
- Desde a Constituinte, defendi reforma que separasse os que já têm direito adquirido e os que estão entrando. Temos de atuar também no curto prazo, de quem já está no sistema. E tenho defendido que se dê reajuste de 10% aos aposentados, o dobro que o governo quer e dar um salário mínimo de R$ 600.
Logo no primeiro tema - legislação trabalhista -, Marina escolheu Dilma para responder. Foi a deixa para a petista fazer um balanço dos empregos formais gerados no governo Lula, dizendo que foram gerados 14 milhões de empregos nos últimos oito anos:
- A questão da informalidade não foi adequadamente respondida. Temos 50% da população na informalidade não foi respondida. Estamos diante de um grave problema que precisa ser encarado da seguinte forma: mantendo o direito dos trabalhadores, mas simplificando o processo de contratação para diminuir a informalidade. - devolveu Marina.
Dilma reagiu em seguida - na única referência que fez à questão previdenciária.
- Até 2005 havia geração de trabalho mais informal do que formal e isso se modificou. Nós fomos capazes de gerar volume significativo. E queria deixar claro que o aumento de emprego deve manter os direitos trabalhistas. E acredito que o Brasil precisa gerar um volume muito grande de emprego, mas para isso temos de ter taxas elevadas de crescimento.
Serra tenta atacar Dilma com a questão da reforma tributária
A reforma tributária levou Serra ao primeiro ataque à adversária Dilma, no primeiro bloco do debate. Ao responder a uma pergunta sobre o tema impostos, feita pelo candidato do PSOL, Serra criticou a política tributária do atual governo e também Dilma, dizendo que a carga de impostos do Brasil é a maior do mundo.
Ao ser sorteado para perguntar sobre impostos, Plínio reagiu com ironia ao ver que teria que questionar Serra, a quem chamou de Zé. A pergunta foi sobre seu projeto de reforma tributária.
- Ih, ele gosta disso.
Marina atacou o governo federal ao responder a uma pergunta de Serra sobre as enchentes. Lembrou do caso das verbas do Ministério da Integração Regional, que repassou mais recursos para a Bahia, terra do então ministro Geddel Vieira Lima:
- Que possamos ativar fundo nacional de Defesa Civil, fazer mapa de risco, treinar a população, e evitar repetir o que aconteceu no governo federal, quando o ministro da Integração passou os recursos para os municípios da sua base (na Bahia) - disse a verde.
Serra atacou o governo Lula ao perguntar a Marina sobre o déficit no setor de habitação.
- O déficit de habitação é altíssimo. O governo apresentou um plano de um milhão de moradias, até agora, e, apesar dos anúncios contrários, entregou 15% disso.
Marina voltou a atacar os governos do PT e do PSDB:
- O déficit habitacional é muito grave, e não é de agora. Nos últimos 16 anos, eu insisto, o investimento para a habitação das famílias mais pobres ficou muito a desejar.
No quarto bloco, Serra atacou Marina e Dilma:
- Vocês duas têm muito mais coisa em comum. Você (Marina) estava no governo do mensalão.
