"Se quiserem me matar, que me matem", disse nesta quinta-feira o presidente do Equador, Rafael Correa, ao desafiar policiais e militares que protagonizam uma revolta no país, através de uma janela do regimento do exército de Quito. Em um discurso improvisado, ele tirou a gravata e abriu a camisa para mostrar que não usava um colete à prova de balas.
Após discursar na janela do regimento, Correa foi atingido por bombas de gás lacrimogêneo lançadas pela polícia e levado ao hospital. Segundo a TeleSur, o presidente foi atendido e já está retornando ao palácio do governo, onde deverá fazer um pronunciamento à população.
Correa disse que não vai voltar atrás na lei do serviço público, aprovada na última terça-feira pela Assembleia Nacional, que remove prêmios e bônus para policiais. Por isso, agora mais de 800 policiais rejeitam esta eliminação de benefícios econômicos.
Um grupo de cerca de 150 soldados da Força Aérea equatoriana tomou a pista do aeroporto internacional de Quito. Antes de concluir seu discurso e voltar a se abrigar em um dos escritórios, Correa chamou os manifestantes de "bandidos".
Apesar de a imprensa estar se referindo aos protestos como uma tentativa de golpe, o chefe do comando das Forças Armadas do Equador, Ernesto González, garantiu que estão subordinados à autoridade de Correa. "Estamos em um Estado de Direito. Estamos subordinados à máxima autoridade que é o senhor presidente da República", afirmou o chefe militar em um pronunciamento transmitido pelos meios de comunicação locais.
A presidência do Equador recomenda aos cidadãos em seu perfil no Twitter que não saiam de casa e que mantenham a calma.
Rafael Correa disse que estudava a possibilidade de emitir um decreto dissolvendo a Assembleia Nacional, em função de um conflito interno com seu movimento político que vem freando a promulgação de leis cruciais para seu projeto socialista.
