Os governos de Espanha e Argentina se manifestaram em oposição à tentativa de golpe contra o governo equatoriano, como está sendo chamada pela imprensa local a série de manifestações de militares e policiais pelo país nesta quinta-feira. A Argentina se disse "profundamente preocupada" com a situação no país e manifestou seu respaldo ao presidente Rafael Correa. A Espanha emitiu um comunicado nos mesmos moldes.
"Ante as notícias de uma tentativa de golpe de Estado na República do Equador, o governo da Espanha quer condenar firmemente qualquer ruptura da legalidade constitucional e reiterar seu apoio ao governo legítimo e às instituições democráticas do Equador", disse o ministro de Assuntos Exteriores em um comunicado.
A chancelaria argentina garantiu em seu comunicado que está "permanentemete em contato" com o governo do Equador. "A Argentina informa sua confiança na institucionalidade democrática do país irmão e na autoridade política do presidente constitucional para encontrar a melhor solução em defesa dos altos interesses do povo e do governo", diz a nota argentina.
Tensão
O clima se tornou tenso no país depois que cerca de 150 militares equatorianos tomaram o controle da pista do aeroporto internacional de Quito durante protestos. "O aeroporto está fechado", disse à Reuters o funcionário do aeroporto, que pediu para não ser identificado.
Outro grupo tomou um dos maiores regimentos do exército da capital, onde estava o presidente, Rafael Correa. Segundo a imprensa equatoriana, Correa tentou dialogar com os policiais, que responderam com insultos e tentaram jogar água no presidente.
Imagens de televisão mostraram policiais uniformizados queimando pneus na entrada de um dos maiores quartéis de Quito. Outro grupo fechou uma ponte e vias de acesso à capital econômica do país. Outros setores já anunciaram que se unirão ao protesto, segundo publica o Diário Hoy em seu site.
As tropas equatorianas protestam por causa da eliminação de benefícios econômicos incluídos em uma reforma legal proposta pelo presidente Rafael Correa para cortar custos do Estado. No campo político, membros do próprio partido de Correa, de esquerda, estão bloqueando no Legislativo o projeto do governante, o que levou o presidente a considerar a dissolução do Congresso, medida que lhe permitiria governar por decreto até as próximas eleições.