A redução no repasse de verbas para operações da Polícia Federal (PF) pode refletir na atuação da instituição durante as eleições em Alagoas. Além disso, o efetivo no Estado, que é de cerca de 100 policiais é insuficiente para atender municípios considerados críticos, em relação a crimes eleitoras, como a compra de votos.

Mesmo com o anúncio de 100 policiais extras que irão participar do processo político em Alagoas o efetivo total de policiais é considerado pequeno no Estado.

No país inteiro houve corte de 40% dos gastos com despesas das unidades e diárias pagas a delegados e agentes. Problemas como a falta de dinheiro para a gasolina dos veículos pode ser um dos problemas que irão dificultar o trabalho preventivo da PF, que também precisou diminuir gastos com eventos.

O presidente Lula baixou um decreto que impôs à PF redução de 14% na administração das unidades e de 36% para o Funapol, fundo de custeio de despesas com transporte, hospedagem e alimentação de policiais em missão. Dados do Orçamento apontam que o Ministério da Justiça só pagou R$ 222,6 milhões dos R$ 410 milhões que havia reservado para bancar despesas da administração.

O diretor do Programa da Secretaria Executiva do Ministério da Justiça, Adélio Martins, confirmou que obteve liberação emergencial de R$ 58 milhões e que as verbas da PF deveriam ser descongeladas a partir de 20 de setembro.

A atuação da PF durante as eleições é notória e vários crimes de compra de votos, por exemplo, foram descobertos pela instituição, como a apreensão de R$ 1,34 milhão em um escritório da empresa Lunus, da então candidata a presidente Roseana Sarney (PFL), que desistindo de concorrer.

Já em 2006 uma tentativa de compra de um dossiê contra José Serra (PSDB), que disputava o governo paulista foi desbaratada. O escândalo foi apontado como responsável por dificultar que o presidente Lula vencesse a eleição no primeiro turno.

PF em Alagoas

De acordo com o presidente do Sindicato da Polícia Federal em Alagoas, Jorge Venerando o que mais pode atrapalhar as investigações da instituição é a carência de pessoal, pois para ele, o período eleitoral requer um esforço maior dos policiais para realizar um trabalho a contento da sociedade e da justiça eleitoral.

“A falta de dinheiro na PF se reflete em todos os Estados. As eleições requerem operações delicadas e nosso efetivo é diminuto. Cerca de 70 policiais são deslocados para atividades de campo, no aeroporto, em plantões e setores estratégicos. Para suprir a carência dos 102 municípios seria necessário triplicar esse número, principalmente em cidades pólos. O ideal seriam quatro policiais em cada local”, destacou. 

Venerando afirmou ainda, que será difícil para a PF fazer operações prevenindo crimes eleitorais durante o pleito e que a atuação ficaria condicionada a denúncias. “Com essa pequena quantidade de policiais será complicado fazer trabalhos investigativos. Só se a superintendência fizer mágica. Estive semana passada com o presidente do Sindicato de Brasília e ele questionou o corte de verbas. Foi uma atitude impensada do governo, pois os políticos só visam o lado financeiro e esquecem o lado social”, lamentou.