CARACAS, 27 Set 2010 (AFP) -A oposição venezuelana conseguiu voltar com força ao Parlamento após as eleições legislativas de domingo e mostrou que o presidente Hugo Chávez é "derrotável", mas seu desafio agora será manter-se unida para as eleições presidenciais de 2012, consideraram analistas.
"A oposição tem uma oportunidade de ouro de se consolidar. Ficou muito tempo sem conseguir apresentar triunfos que oxigenassem seus seguidores, que mostrassem que Chávez é derrotável", declarou à AFP Luis Vicente León, do instituto de pesquisas Datanálisis.
A Mesa da Unidade Democrática (MUD) foi criada para estas eleições com um conjunto de partidos de diversos perfis políticos unidos apenas por sua oposição a Chávez. Nela estão incluídos a velha oposição tradicional venezuelana -democrata-cristãos e social-democratas -, uma dissidência de esquerda e grupos de jovens liberais.
"O desafio agora é passar da articulação eleitoral para a verdadeira articulação política. A Mesa é por enquanto um grupo organizado para eleições, mas deve ser uma proposta comum de país", ressaltou León.
Segundo o bloco opositor, nas eleições de domingo a MUD obteve mais de 50% dos votos, o que representa uma franca vitória apesar de o sistema de distribuição de acentos previsto por lei conceder menos deputados que o governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).
Esse dado ainda não foi confirmado pelo Conselho Nacional Eleitoral.
Mas em um país onde Chávez é um líder onipresente, muito carismático e com um aparato de meios de comunicação impressionante, é difícil criar um rival que represente um verdadeiro contrapeso.
"Se a oposição tivesse um líder claramente identificado agora, Chávez o desarmaria até 2012. Por enquanto, é melhor não olhar para 2012 e recuperar a Assembleia Nacional como cenário de debate político", considerou à AFP Federico Welsch, professor da Universidade Simón Bolívar e especialista em partidos políticos.
"A oposição tem que avaliar uma estratégia sustentada para crescer em número de votos, indispensável para vencer em 2012", disse Angel Alvarez, diretor do Instituto de Pesquisas Políticas da Universidade Central da Venezuela (UCV).
Desde 2005, quando a oposição decidiu não participar das eleições legislativas, em uma decisão considerada hoje um grave erro, tem conseguindo aos poucos voz e voto no panorama político.
Em 2007, o governo sofreu sua primeira derrota nas urnas desde a chegada de Chávez ao poder em 1998, em um referendo sobre uma reforma da Constituição, que foi rejeitada.
Um ano depois, em 2008, o chavismo venceu as eleições regionais e municipais, mas a oposição triunfou nas cidades mais populosas e ricas do país, como Maracaibo, Caracas e San Cristóbal.
"Esta nova Assembleia se parece muito mais com o país. E isso é parte do debate que começa agora: que as instituições se pareçam cada vez mais com o país e menos com o partido do governo", declarou à AFP, Alberto Barrera, analista e autor do livro "Chávez sem uniforme".
"A mensagem de uma Assembleia Nacional equilibrada foi central na campanha da MUD. Essa mensagem chegou e os eleitores a entenderam. Enquanto isso, o PSUV pediu a demolição e as pessoas não o apoiaram", ressaltou Ricardo Sucre, professor de Ciências Políticas da UCV.
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