As câmeras de segurança vêm sendo utilizadas em municípios alagoanos como forma de inibir a violência. Em Roteiro, o equipamento flagrou o assassinato do vereador Genival Barbosa da Silva, 50 anos, no último dia 20, o que deve ajudar a polícia a identificar o assassino. No entanto, alguns moradores reclamam que houve uma redução do policiamento por causa do monitoramento dos sistemas de vídeo.
A maioria dos 102 municípios tem o equipamento, já que o governo do Estado destina 3% do ICMS para o investimento em segurança. No entanto, segundo uma fonte ouvida pelo Cadaminuto, alguns gestores estão utilizando as câmeras – colocadas em frente a residências - para monitorar adversários políticos.
Além disso, muitas pessoas reclamam da falta de privacidade, embora o sistema de vídeo seja instalado em locais públicos, como praças. Apesar de não acabarem totalmente com os crimes, as câmeras têm possibilitado a identificação de criminosos, sob o custo de manter a população “vigiada”.
Em São Luiz do Quitunde é a guarda municipal que fica responsável pelo monitoramento das imagens 24 horas. Já em alguns municípios o equipamento passou a ser alvo de bandidos, como em Canapi, onde seis câmeras foram roubadas.
Segundo Cícero Cavalcante, prefeito de São Luiz do Quitunde, as câmeras são uma forma de inibir a violência. O prefeito afirmou que com a instalação do sistema de vídeo, em janeiro deste ano, os assaltos diminuíram e ainda, houve várias prisões em flagrante. Acerca da utilização do equipamento para monitorar adversários ele destacou que a vigilância não é feita para uma pessoa específica e sim, para toda a sociedade.
“Já aconteceu dos guardas municipais veem um homem esfaqueando a esposa pela câmera e o acusado foi preso. Se o morador sabe que está sendo filmado vai pensar duas vezes antes de cometer um crime. No município há 28 câmeras, instaladas em todos os locais. Não acho que seja perseguição se na rua em que o adversário político mora tiver, pois ele também faz parte da sociedade”, explicou.
Cavalcante afirmou que não acredita na diminuição do efetivo policial após a instalação do sistema de monitoramento nos municípios. “Aqui a guarda e a polícia estão trabalhando do mesmo jeito. As imagens ficam armazenadas durante 10 dias para serem analisadas”, ressaltou.
De acordo com Leide Vieira, moradora do município e Canapi, a segurança pública tem deixado a desejar, ainda mais após a instalação das câmeras. Ela afirmou que há poucos policias para conter a violência.
“Acho a utilização desse equipamento uma boa idéia para a segurança, mas tem que ter policiais também. Há quatro meses quando existia uma onda de assaltos a motos e sítios as câmeras foram roubadas daqui”, destacou.
Falta de privacidade
Na semana passada a população protestou contra a instalação de câmeras em um município. De acordo com um morador elas estariam servindo para que o prefeito espionasse inimigos políticos e esta é uma reclamação recorrente em várias outras cidades do Estado.
"Se a gente faz qualquer coisa que desagrade o prefeito tem sempre uma câmera espionando. Algumas delas foram instaladas perto da casa dos inimigos políticos, a PF precisa saber disto", explicou um morador que não quis se identificar.