Depoimento de novembro do ano passado do assessor jurídico da Secretaria da Segurança do Amapá Luiz Mário Araújo de Lima envolve o senador José Sarney (PMDB-AP) na indicação de um secretário estadual que supostamente blindou Waldez Góes e sua mulher junto à Polícia Federal. Além disso, cita o presidente do Senado em uma suposta fraude na contratação de um helicóptero para o governo estadual.

O secretário indicado em questão foi Aldo Ferreira, delegado da Polícia Federal e um dos presos na Operação Mãos Limpas. Segundo Araújo de Lima, a indicação de Aldo Ferreira foi uma retribuição por ele ter impedido que Waldez Góes e Marília, sua mulher, fossem alvo da Operação Antídoto, feita em 2007.

A Antídoto desbaratou uma quadrilha, que supostamente envolvia o secretário de Saúde do Amapá, de venda irregular de medicamentos ao governo estadual. O assessor afirmou que Ferreira "teria assumido o cargo em decorrência de favor prestado quando atuante da superintendência da Polícia Federal". Também disse que Góes e Marília "teriam sido observados recebendo dinheiro decorrente de fraude nas licitações e contratos" investigados pela operação. Sua indicação foi fechada no escritório do presidente do Senado, em Brasília, e com sua anuência, disse Araújo de Lima.

Mensalão de ex-governador era de R$ 500 mil, diz delator
O ex-governador do Amapá Waldez Góes (PDT), candidato ao Senado, recebia uma propina de R$ 500 mil mensais para manter um contrato de fornecimento de alimentos aos presos do Estado, segundo depoimentos dados à Polícia Federal. O assessor jurídico da Secretaria da Segurança Pública do Amapá Luiz Mário Araújo de Lima cooperou com a PF nas investigações da Operação Mãos Limpas. Os depoimentos, de novembro de 2009 e maio deste ano, foram obtidos pela Folha.

As apurações da PF apontaram para um suposto esquema de desvios de recursos públicos no Estado. Na semana passada, 18 pessoas foram presas -entre elas, Góes e Pedro Paulo Dias (PP), atual governador, que continuam detidos em Brasília. Nas palavras do assessor, a fraude no Iapen (Instituto de Administração Penitenciária do Estado) era "orquestrada" por Góes, sua mulher, Marília, pelo deputado federal Evandro Milhomen (PC do B) e por Francisco Odilon Filho, empresário e dono da Mecon, que fornece as marmitas para os presos.

Senador nega ter interferido em governo
O senador José Sarney (PMDB), por meio de nota da sua assessoria, negou que tenha interferido na escolha do secretário da Justiça e da Segurança Pública do Amapá, Aldo Ferreira, ou de qualquer outro secretário do Estado. Segundo a nota, o presidente do Senado também negou que tenha se reunido com políticos do Amapá para discutir a indicação do delegado para o cargo.